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Prodrive P25: o renascimento do Subaru 22B

Rally parecia a melhor forma de levantar o nome da empresa. Na verdade, o único. A Subaru, marca de automóveis da indústria de material pesado de Fuji, no Japão, era famosa já por um bocado de coisas. Mas ser veloz definitivamente não era uma delas.

Os Subaru sempre foram originais e diferentes; adicionar a qualidade de “veloz” ou “rápido” às qualidades tradicionais da empresa, uma coisa bem mais recente. A empresa ficara famosa por fazer pequenos carros econômicos que podiam ser usados no lugar de jipes e SUV com tração total.

Eram robustos, valentes, tinham tração nas quatro rodas. Eram carros de fazendeiros, médicos veterinários, e outros profissionais liberais deste tipo, desde que fossem mão de vaca o suficiente para acharem um Jeep ou um Land Rover caros e gastões demais.

A velha Subaru: esquisita

A marca queria sair de debaixo deste estigma utilitário-para-mão-de-vaca no qual se meteu. Seu Legacy, lançado em 1989, era o começo desta luta. Um carro maior, mais potente, que mantinha as características da marca de motor contraposto e tração integral disponível, mas que agora competia no lucrativo mercado americano com Camry e Accord.

Legacy: uma Subaru mais alinhada ao mainstream.

Para tentar levantar o prestígio dessa nova Subaru, a empresa resolveu entrar em competição. Rally parecia a escolha óbvia, esporte do mato e tal coisa coisa e tal. Para isso teve que encontrar um parceiro: sua experiência no negócio era nula. E esse parceiro não podia ser muito caro; a Subaru ainda era pequena e relativamente desconhecida.

Encontrou o casamento ideal numa empresa de Banbury, Oxfordshire, Inglaterra. Fundada em 1983 por um certo David Richards, a empresa já tinha boa experiência: preparou carros para o Rothmans Porsche Rally Team, correndo um Porsche 911 SC RS para Henri Toivonen no Campeonato Europeu de Rally e para Saeed Al Hajri no Campeonato de Rally do Oriente Médio.

Em 1986, a Prodrive preparou um MG Metro 6R4 em campeonatos de rally britânicos e irlandeses. Tinha também trabalhado com carros de turismo em pista, e parecia um bom match para a empresa japonesa iniciante.

Foi uma das uniões mais lendárias do esporte, durando até 2008, quando a crise do subprime americana obrigou o cancelamento do investimento no esporte-motor pela Subaru. Inicialmente correram com Legacy, até que o advento do Impreza em 1992 deu a ambos uma nova ideia e uma nova plataforma. O Impreza era o segundo carro desta “nova Subaru”: mais compacto que o Legacy, mas moderno e bonito. Ainda que aderindo estritamente às tradições da marca.

Para a temporada de 1993, a Prodrive reconheceu que um carro menor e mais ágil seria uma plataforma melhor para um carro de rally, e começou o trabalho em um carro do Grupo A. Em relação ao Legaçy, era 160 mm mais curto no comprimento total com uma distância entre eixos 60 mm mais curta, além de ter uma relação de peso dianteira/traseira mais neutra. Dirigido por Ari Vatanen o carro chegou em segundo lugar já em sua estreia. Uma lenda estava prestes a se formar.

Mas foi somente com um jovem escocês chamado Colin McRae, que finalmente foram campeões, em 1995. A dupla Subaru/Prodrive seria campeã de construtores em 1995, 1996, e 1997, praticamente dominando o esporte.

Nas ruas, a versão WRX do Impreza, baseada largamente na experiência da Subaru com a Prodrive em Rali, começa a atrair um novo tipo de consumidor para a marca: o jovem procurando carros velozes. Esse é o real começo dessa nova Subaru, quando ela finalmente deixa para trás sua antiga reputação indesejada para abraçar seu novo pedigree de competição. A mula de carga, ora veja só, agora deu à luz a um puro-sangue campeão.

Muito existia para festejar em 1997 então: além de um terceiro título consecutivo no WRC, era também o ano do 40º aniversário da Subaru como empresa. Ela resolveu então que um carro especial era necessário para marcar a data. Nascia o Subaru Impreza WRX STi 22B.

O carro até hoje ainda é considerado por muitos como o máximo em Subaru Impreza. Talvez o máximo em Subaru. E com apenas 425 produzidos (originalmente 424, mas a Subaru americana escondia um), é um dos mais raros. Quatrocentos destes foram vendidos no Japão, enquanto o resto foi destinado à exportação ou como presente para pessoas como Colin McRae.

22b: uma lenda mesmo ao nascer.

Baseado no Impreza de duas portas, era completamente desmontado e ressoldado com pontos extras e soldas localizadas extras. Era mais largo, com paralamas alargados, mais baixo e extremamente agressivo. Os 16 carros que vieram para a Inglaterra passaram primeiro na Prodrive, que instalava relações de transmissão mais longas e iluminação específicas para o Reino Unido.

O motor era o EJ22 da Subaru: deslocamento aumentado para 2212 cm³ em relação aos 1994 cm³ anteriores. Oficialmente, a potência continuou igual nos 280 cv do acordo de cavalheiros japonês vigente; mas o torque dava uma dica de como era diferente na realidade:  36 mkgf a 3200 rpm em comparação com os 35 mkgf a 4000 rpm. O zero a 100 km/h se dava em 4,7 segundos, o que ainda é impressionante 25 anos depois. Também podia chegar a 160 km/h em 13.1 segundos.

A Subaru também colocou nele um interruptor de diferencial central ajustável. Quando em sua configuração mais baixa, a embreagem multidisco no diferencial central planetário direciona 65% do torque do motor para as rodas traseiras. Se a traseira do carro perder tração, mais torque será enviado para as rodas dianteiras. Mover a chave para a posição “travada” resulta em 50% do torque do motor indo para cada eixo, imutável.

O esquema da pintura azul com rodas douradas e freios com pinças vermelhas talvez seja ainda mais icônico. Quantos carros vocês já viram imitá-lo?

O 22b imediatamente se tornou um clássico, e sempre valeu muito dinheiro desde então. O que, como sempre, abriu caminho para restauros, réplicas e restomods baseados em sua fórmula vencedora. Mas agora, aparece uma feita por um de seus criadores originais: a Prodrive.

 

O Prodrive P25 – reimaginando o Subaru

O que é o Prodrive P25? A empresa explica: “Agora, 25 anos depois, usando a mais recente tecnologia e materiais, a Prodrive reinventou o 22b. Apenas 25 carros serão produzidos, cada um com um chassi Impreza WRX original de duas portas em seu cerne. Este é o mesmo chassi usado no primeiro Impreza WRC, mas agora com peso reduzido, motor mais potente e dinâmica do veículo aprimorada.

Como em 1997, a Prodrive pega um chassi de Subaru Impreza duas portas, e o transforma numa fera com desempenho de supercarro, para competição de rali. Só que agora o carro tem 25 anos de idade, e o dono provavelmente nuna competirá com ele. Mas terá ar condicionado e som com conectividade, pelo menos.

O 22b Original: um mito pode ser reimaginado?

Sempre que a procura ultrapassa muito a oferta, isso acontece; basta um carro antigo atingir patamares de preço que fazem todos gritar “absurdo!”, esse movimento ocorre. Existe muita gente, afinal, que quer carro zero km e não quer aborrecimentos. Mas um carro moderno fica cada vez menos aceitável entre o beautiful people; é só ver nos filmes os mocinhos agora sempre de carro antigo. O Batman de Affleck, de Mercedes-Benz do futuro, não é tão cool como o Batman de Pattinson com sua Corvette 1963, e seu batmóvel que parece uma cruza de Mustang e Charger RT.

Mas divago; o que importa aqui é que a Prodrive está fazendo um novo Impreza 22b, modernizado, para 25 felizardos endinheirados. E quando uma coisa assim acontece, paramos para prestar atenção: a Prodrive sabe desenvolver carros velozes como ninguém. Mais até do que sabia em 1997. É na verdade uma oportunidade para ver o que a tecnologia de hoje pode fazer com legislação de 1997.

Por isso a base do carro antigo, e não construir um carro novo do zero, o que provavelmente seria mais fácil: assim é sujeito a legislação de 1997, não a de hoje. A de hoje, claro, inviabilizaria a brincadeira toda. O que é uma loucura, estarmos proibidos de ter coisas assim novas, mas esse é outro assunto.

Subaru

O carro será ainda mais leve que o original, que pesava 1.245 kg, para começar. Peso foi removido do chassi ao fabricar-se o porta-malas, capô, teto, soleiras, espelhos das portas, paralamas dianteiros e traseiros, asa traseira estilo WRC e para-choques em compósito de carbono, enquanto no interior há assentos de corrida leves opcionais com placas de porta de carbono. Uma bateria 12v de íon-lítio ajuda a reduzir peso, quando preço não é um obstáculo. O carro pesará “menos de 1200 kg”.

O motor é baseado no mais recente Subaru de 2,5 litros, mas foi totalmente reprojetado pela equipe de powertrain da Prodrive com componentes internos sob medida, incluindo novas camisas de cilindro, pistões, bielas e um trem de válvulas com comando variável.

Há um turbo Garrett com um intercooler, e um sistema de escapamento de corrida de titânio e aço inoxidável da Akrapovic. São “mais de” 400 cv e 60 mkgf de torque, e juntando isso aos 1200 kg, pode-se imaginar que o desempenho é de supercarro: a Prodrive promete 0-100 km/h em 3,5 segundos.

Teoricamente qualquer Impreza duas portas pode servir de base para um Prodrive P25; inclusive um assim.

O motor é acoplado a uma caixa sequencial de seis velocidades com engrenagens de corte helicoidal e câmbio semiautomático por meio de um paddle na coluna de direção, proporcionando trocas de marcha precisas em 80 milissegundos. O carro tem um sistema de controle de lançamento no estilo WRC, que combina o acelerador e a embreagem fly-by-wire na caixa de pedais montada no piso para levar o carro automaticamente à primeira, segunda e terceira marcha sem intervenção do motorista.

A tração nas quatro rodas, como a transmissão, foi desenvolvidas para o P25. Tem um diferencial central ativo ajustável e diferenciais limited slip dianteiro e traseiro. A suspensão McPherson foi mantida, mas os cubos de roda são de alumínio usinados, e podem ser ajustados para curvatura, e conseguir geometria otimizada, para a bitola extremamente larga do carro moderno. Os amortecedores Bilstein são ajustáveis ​​para compressão e retorno, enquanto as molas e barras estabilizadoras foram ajustadas pacientemente em testes no carro.

Os freios são AP Racing com discos ventilados de 380 mm e pinças de seis pistões na frente e discos ventilados de 350 mm e pinças de quatro pistões na traseira. As rodas Prodrive 8,5 x 19 estão equipadas com pneus Bridgestone Potenza 235/35/19.

O interior também foi atualizado, recriando um autêntico interior do Impreza do final dos anos 1990 usando uma combinação de couro, Alcântara e acabamento em carbono. O P25 pode transportar quatro passageiros, mas também há a opção de remover os bancos traseiros e ter uma gaiola de segurança parcial instalada. No painel, uma tela multifunção com várias opções de mostrador, e um monitorador de desempenho em pista embutido.

O motorista do P25 pode também selecionar entre vários mapas de resposta do acelerador e desempenho do motor, incluindo ajuste anti-lag. Há também um freio de mão hidráulico ‘fly-off’ estilo WRC, que desengata automaticamente o diferencial central para remover a tração nas rodas traseiras. Isso é um acréscimo ao freio de estacionamento elétrico normal. Muita gente ia preferir um freio normal por cabo Prodrive; tenho certeza pois eu sou um deles.

O carro certamente mantém o espírito do carro que homenageia. Nem que seja pelo fato que foi criado pelas mesmas pessoas. Peter Stevens, que estilizou o Impreza WRC original em 1997, bem como o Subarus de edição limitada da Prodrive subsequentes, é o estilista do novo P25. Peter trabalhou ao lado da equipe de engenharia da Prodrive, supervisionada pelo diretor técnico, David Lapworth, que foi responsável pelo desenvolvimento do primeiro Impreza WRC há 25 anos.

David Richards, o fundador e presidente da Prodrive, certamente um dos motores deste projeto, resume: “O icônico Subaru azul traz de volta memórias de uma era extraordinária do WRC. E foi o Impreza 22B que trouxe este desempenho de carro de rali para as ruas. Ao reimaginar este carro usando as mais recentes tecnologias e materiais, o Prodrive P25 presta homenagem às suas raízes. E poucos serão os carros capazes de igualar seu desempenho em estrada aberta. Portanto, acredito que alcançamos nossa visão de criar nossa própria interpretação moderna do Subaru Impreza mais icônico de todos os tempos.”

O carro já está disponível para encomendas. Custará a bagatela de £460,000 na Inglaterra, o equivalente a R$ 2.916.400. Aqui? Como é baseado num carro de 1997, não pode ser importado. A não ser que você ache um Impreza duas portas emplacado aqui e mande para eles. Quem sabe ele assim desconte uns 500 quid do preço, equivalente ao preço que ele pagará na carroceria original por lá…