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Car Culture História

Superboss: o Kadett GSi anabolizado que veio da África do Sul

Quando se trata de carros entusiastas, geralmente a África do Sul não é o primeiro país que vem à mente. Isto precisa mudar, porque o país africano de mão inglesa possui um acervo de preciosidades para lá de interessante, com diversas versões endêmicas pouco faladas em outros lugares. E o Kadett GSi Superboss é mais uma delas.

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Muitos brasileiros cultuam nossas versões esportivas do Kadett, que tinham visual diferenciado, eram melhor equipadas que as comuns (com destaque para os bancos Recaro e o painel digital opcional), e usavam os motores mais potentes da linha – um 2.0 8v carburado de 110 cv no Kadett GS, e uma versão com injeção eletrônica e 121 cv no Kadett GSi. Na Europa, porém, havia o Kadett GSi 16v, que trazia debaixo do capô o adorado motor C20XE, com comando duplo no cabeçote e generosos 150 cv. Este motor só veio para o Brasil em 1993, como Vectra GSi e o cupê Calibra. Como são motores da mesma família, não é complicado montar seu próprio Kadett GSi 16v.

O Kadett Superboss, por sua vez,era capaz de provocar inveja até mesmo nos alemães.

Tudo começou graças a outro esportivo endêmico da África do Sul: o BMW 325iS. Considerado o “M3 sul-africano”, o BMW 325iS E30 era um dos nomes mais fortes das corridas de turismo locais, onde competia sob o regulamento do Grupo N. Ele tinha componentes de alumínio na carroceria, suspensão de BMW M3 e, a cereja do bolo, um quatro-cilindros Alpina de 2,7 litros capaz de entregar 198 cv na versão de homologação para as ruas.

A Opel, que tinha uma presença forte na África do Sul, precisava responder. E foi com esta missão que o Kadett GSi Superboss nasceu.

O ponto de partida foi o Kadett GSi 16v normal, idêntico ao carro alemão. E o resultado era uma bela demonstração do tuning de fábrica old school – modificações discretas, simples e muito eficientes.

Discrição era a palavra de ordem no visual. Olhando rapidamente é fácil não notar as diferenças entre o Superboss e um GSi 16v comum. Mas o para-choque dianteiro, por exemplo, dispensava os faróis auxiliares e colocavam em seu lugar três entradas de ar horizontais de cada lado, e as rodas eram belíssimas Alluett de 15×7 polegadas com borda polida e miolo cinza. Havia, também, alguns emblemas especiais, mas era só isto.

Por dentro, a mesma coisa: os bancos tinham um revestimento diferenciado, que misturava couro e tecido, além de emblemas bordados; e o volante de três raios era diferente do que se via em qualquer outro Kadett da época. No mais, não havia muito que identificasse o habitáculo como o de algo especial e raro.

Raro mesmo: o número mínimo de exemplares que deveriam ser fabricados para homologação era 500, e 500 foram feitos – nem um a mais.

Agora, o que realmente colocava o Superboss acima dos demais Kadett E era o motor. O C20XE ganhava preparação à moda antiga, naturalmente aspirada. Era feito um retrabalho de fluxo no cabeçote, que recebia um comando Schrick de 276° e um aumento na taxa de compressão; o sistema de escape passava a ser um 4×1 redimensionado; os pistões normais eram trocados por componentes forjados; e um sistema de injeção Promotec com programação exclusiva era instalado.

Foto: Stefan Kotze/Speedhunters

Tudo feito com a supervisão da Cosworth, o que garantia o funcionamento redondo do conjunto. No total, eram 170 cv e 23,2 kgfm de torque, moderados por uma caixa manual de cinco marchas e levados para as rodas dianteiras através de um diferencial com autoblocante – algo que fazia toda a diferença na hora de colocar a força no chão e fazer curvas.

O Kadett GSi Superboss não é tão conhecido do público em geral mas, entre os fãs do modelo, é praticamente o Santo Graal. Mas raridade e potência extra não são os únicos motivos: ele também conquistou seu objetivo. A versão de corrida deu à Opel dois títulos no campeonato de turismo do Grupo N na África do Sul em 1991 e 1992.

Se você, dono de Kadett GSi/GS que está a fim de começar um projeto, não se inspirar com isto… sentimos muito.

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