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Taito Chase H.Q. – uma preciosidade da era 8-bits | FlatOut Retro Review

Não vou discutir até que ponto vai a legalidade disto, mas o fato é que estamos em um momento muito bom para jogar games antigos. Existe uma boa oferta de emuladores portáteis chineses com vários emuladores e, literalmente, milhares de games pré carregados, além de diversos consoles retrô compatíveis com cartuchos.

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É também a oportunidade perfeita para conhecer alguns games consagrados aos quais você não teve acesso quando mais novo. Eu, por exemplo, sempre morei em uma cidade pequena, com difícil acesso a novos cartuchos para meu clone brasileiro do NES – um confiável Magic Computer da Dynacom. Eu já havia levado uma eternidade para conseguir uma fita (como a gente chamava na época) com Super Mario Brothers, e sequer considerava a existência de tantos outros jogos, fosse no NES ou em outros videogames.

Minha experiência com jogos de corrida na era 8-bits foi limitada a F1-Race e Mach Rider – games divertidíssimos, porém bastante limitados. Quase todos eles envolviam simplesmente acelerar por uma pista cheia de outros carros em uma corrida contra o relógio. Os gráficos de ambos eram bonitos, mas bem simples, com cores chapadas, poucas texturas e cenários repetitivos. E a jogabilidade era bem minimalista – bastava decorar movimentos e identificar padrões para avançar pelas fases até atingir uma rampa absurda na curva de dificuldade. E então, depois de quase atirar o controle na TV, você desistia.

Mas existiam opções mais interessantes – games mais elaborados e complexos, um clássico que, para mim, era praticamente desconhecido até pouco tempo atrás: Chase H.Q. Descolei um clone chinês do Famicom (a versão japonesa do Nintendo Entertainment System) que veio com mais de 200 games na memória, e Chase H.Q. estava entre eles. Já havia ouvido falar, mas confesso que sequer havia procurado gameplays no Youtube antes.

Agora, semanas depois, posso afirmar que Chase H.Q. é um dos meus jogos favoritos da era 8-bits. E isto me motivou a escrever a respeito em mais um FlatOut Retro Review!

 

Chase H.Q., desenvolvido pela Taito, foi lançado em 1988 para arcade. O game era um sucessor espiritual para Top Speed (conhecido em alguns mercados como Full Throttle) do ano anterior – que, por sua vez, era um clone de OutRun, te colocando ao volante de um carro vermelho em um circuito de checkpoints.

Com Chase H.Q., porém, a Taito queria apresentar algo mais que uma cópia do hit da Sega. E assim, surgiu a ideia de um game com perseguições policiais em carros esportivos – um conceito não muito diferente do que tornou Need for Speed um fenômeno da era 3D nos anos 1990.

O game te colocava na pele de um patrulheiro rodoviário especial, Tony Gibson, que tinha a missão de perseguir e prender criminosos em superesportivos roubados ao lado de seu parceiro Raymond Broady. Na operação à paisana, seu veículo era um Porsche 928 – não licenciado, e descrito apenas como “um esportivo muito bem acertado com câmbio especial de duas marchas”. Seus rivais conduziam outros supercarros da época – Lotus Esprit, Lamborghini Countach, Porsche 959, Ferrari 288 GTO e outro Porsche 928, nesta ordem.

O objetivo era simples: você começava cada estágio a uma boa distância do seu alvo, e deveria alcançá-lo dentro do limite de tempo – entre 60 e 75 segundos, dependendo do estágio. Uma vez que você o avistava, a sirene era ligada e o contador te dava mais 60 segundos para deter o malfeitor batendo no carro dele e preenchendo a barra de dano. Simples e eficaz.

O que encantava em Chase H.Q., porém, eram os detalhes que tornavam a experiência mais completa – como sua assistente, Nancy, que te informava sobre os casos e dava detalhes de seus alvos, incluindo imagens dos carros. A câmera te dava uma visão mais ampla e precisa do que vinha adiante, e os cenários eram ricos e variados, mudando a cada túnel que você atravessava. E havia momentos em que a pista duplicava e você precisava escolher um lado – e, caso optasse pelo caminho errado, a distância entre você e o criminoso aumentava, reduzindo suas chances de alcançá-lo a tempo.

Sem falar nas artes sensacionais dos pôsteres

Como era padrão na época, havia gabinetes completos, com banco acolchoado, alavanca de câmbio no console central e sirenes de polícia; e gabinetes do tipo stand up, mais simples, para jogar em pé. Ambos foram bem sucedidos, e Chase H.Q. foi bastante elogiado pela imprensa especializada justamente por oferecer uma experiência mais completa em relação a outros jogos. A publicação Computer and Video Games dizia: “Enfim um jogo de corrida com algo mais para fazer do que apenas correr em um circuito cronometrado”, e dizia que, além de desafiador e rápido, o game tinha efeitos sonoros excelentes, incluindo vozes de alta definição.

Assim, já em 1989 Chase H.Q. ganhou diversos ports, tanto para computadores quanto para consoles – tanto de mesa quanto portáteis. Estas, especialmente nos sistemas de oito bits, tinham seus próprios méritos.

Joguei as versões para o Master System da Sega e para o NES. E ambas surpreendem em qualidade, visivelmente levando seus respectivos sistemas ao limite. A versão do Master System tem gráficos obviamente melhores, com sprites estáveis e bem detalhados em cores vivas – embora o chip de som, mais limitado que no NES, te obrigue a escolher entre a trilha sonora e o ronco do motor.

No NES, apesar dos gráficos mais simples, havia até mesmo uma gravação com a voz de Nancy, e o jogo trazia tanto música quanto os efeitos sonoros dos carros.

Mas, em ambos os casos, o que mais me cativou em Chase H.Q. não foram os recuros técnicos, e sim a forma como a dificuldade é trabalhada ao longo das missões. Em vez de uma rampa suave que se torna ridiculamente vertical de uma hora para outra, a dificuldade de Chase H.Q. aumenta de forma sutil, quase imperceptível até o momento em que você precisa de mais de três tentativas para alcançar e destruir o carro do criminoso – geralmente isto acontece no quarto estágio. Ainda assim, em cada uma das tentativas você percebe que está pegando o jeito e ficando mais próximo de prender o meliante.

Os recursos que o jogo usa para aumentar a dificuldade são elegantes e naturais – as pistas ficam mais sinuosas, com mais curvas fechadas em sequência, o número de carros no tráfego aumenta e os carros dos bandidos ficam mais fortes. Para contrabalançar, há um sistema de upgrades que usa os pontos obtidos com ultrapassagens. Com eles, você pode aumentar a quantidade de vezes em que você pode acionar o turbo, instalar pneus que melhoram a dirigibilidade, obter para-choques reforçados para aumentar o dano ao carro do seu alvo, e até colocar um supercharger que melhora o desempenho geral do seu Porsche 928. Acertar os outros carros não danifica o seu veículo, mas reduz sua velocidade – e a dinâmica, felizmente, é mais precisa que a média dos jogos da época. Chase H.Q. até te recompensa por optar pelo câmbio manual – dá para trocar de marcha mais tarde e reduzir para ganhar aceleração, algo que o câmbio automático não faz.

Houve versões para consoles de 16-bits – Super Chase H.Q. para o Super Nintendo, com visão em primeira pessoa, e Chase H.Q. 2 para o Mega Drive. Embora tenham gráficos superiores e jogabilidade mais sofisticada, estes não têm o mesmo charme do arcade original e das versões de 8-bits.

Por tudo isto, só posso lamentar por não ter procurado jogar Chase H.Q. antes – especialmente considerando o sucesso das versões para consoles 8-bits no Brasil. Mas, claro, nunca é tarde para redescobrir os clássicos.

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