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Twisted Metal 4: combate veicular e nostalgia | FlatOut Retro Review

Certos gêneros de games são pilares da indústria e nunca morrerão – jogos de luta, RPGs, games de corrida. Mas outros, que podem ser mais definidos mais claramente como subgêneros, têm seu momento e depois meio que desaparecem. Um destes subgêneros é o de combate veicular: você controla um carro, sim, mas não em uma pista de corrida, mas em uma arena. E o seu objetivo é usar armas e estratégia para acabar com todos os outros que estão no campo de batalha. Não se vê mais bons jogos assim desde meados dos anos 2000.

Meu primeiro contato com os games de combate veicular foi com Twisted Metal 4, que vinha em um daqueles CD’s “3 in 1” que, por aqui, eram vendidos em bancas de jornal, lojas de brinquedos e feirinhas ao ar livre – bons tempos, aliás. E, como geralmente acontece, TM4 acabou se tornando meu título favorito do gênero, capaz de evocar memórias deliciosamente nostálgicas. E, afinal, não é este o ponto de todo Retro Review aqui no FlatOut?

A franquia Twisted Metal começou em novembro de 1995, quando foi lançado o primeiro jogo – pouco depois do lançamento do PlayStation. Foi o game que estabeleceu os aspectos fundamentais da série: personagens carismáticos, humor irreverente e um plano de fundo pós-apocalíptico, além de um gameplay fluido, caótico e muito divertido. Os jogos seguintes não trouxeram revoluções, mas aperfeiçoaram a fórmula – e, para mim, o quarto Twisted Metal foi o auge da franquia no PlayStation em termos de gráficos, trilhas sonoras e conteúdo no geral. Era um game muito coeso e bastante rico em conteúdo – e extremamente viciante. Preparem-se para mais uma viagem ao passado com o FlatOut Retro Review de hoje!

 

O que é?

Twisted Metal 4, obviamente, é o quarto título da franquia Twisted Metal, lançado em 1999 – o desenvolvimento de jogos era bem mais rápido naqueles tempos. A desenvolvedora 989 Studios teve mais tempo para explorar a capacidade do hardware, e o resultado foi um jogo com ótimos gráficos, jogabilidade fluida e diversos features interessantes e engraçados.

A fórmula do combate veicular não foi revolucionada – as partidas acontecem em arenas, e você encara entre um e cinco oponentes em um cenário grande, cheio de obstáculos, power-ups e itens de cura. O último sobrevivente é o vencedor. Simples e eficaz, como os melhores games da quinta geração de consoles.

O game te colocava no meio do torneio Twisted Metal, e explicava que era um show itinerante realizado desde a década de 1900. Os astros eram degenerados que combatiam até a morte com seus carros, usando todo tipo de arma para isto – sem preocupar-se com a segurança de ninguém, nem de si mesmos, nem dos outros participantes, e nem do público. E, por alguma razão, o torneio fazia um sucesso absurdo por todos os locais em que passava – talvez porque a vida das pessoas fosse tão ruim que um show de horrores sobre rodas, com explosões e mortes, acabasse deixando tudo mais… “colorido”.

No filme de introdução, também descobrimos a origem de Sweet Tooth, o palhaço assassino com cabelos em chamas que que aparece em todos os games da série – e é uma espécie de mascote de Twisted Metal. Ele, que é aparentemente imortal, inscreve-se no torneio como desafiante, vence, e é acolhido como um filho pelo criador da coisa toda, o sinistro Calypso.

Na história de Twisted Metal 4, Sweet Tooth revolta-se contra Calypso e torna-se o novo chefe do torneio – e também o boss final do jogo. Calypso, por sua vez, vira um dos participantes para tomar de volta seu posto. Claro, tudo depende… de você.

 

Gameplay

Twisted Metal 4, como dissemos mais acima, não revolucionou o subgênero de combate veicular. Mas fez tudo muito bem: os carros variam em dirigibilidade, resistência e poderio bélico, cada um com seu ronco, e a experiência de explorar as arenas passa longe de ser frustrante – de certo modo, a sensação é de conduzir um carro de controle remoto, com direito a escalar a beirada de um precipício após um salto não muito bem sucedido, ou à possibilidade de andar pela parede após atingi-la no ângulo correto.

O jogo é dividido em dois modos principais: o modo carreira, ou (Tournament), no qual você percorre os níveis e confere a história de cada jogador, e partida única (Deathmatch) – autoexplicativo ,com até cinco oponentes. Havia, ainda, o modo multiplayer, que se valia do periférico PlayStation Multitap para garantir disputas entre até quatro jogadores. Ou seja: Twisted Metal 4 podia ser um belíssimo party game.

Um detalhe bacana era a variedade de personagens e carros – os recorrentes, como o General Warthog e seu tanque de guerra ou Mr. Grimm (que, em TM4, é Captain Grimm e usa um calhambeque no lugar de sua costumeira moto com sidecar). Há também personagens novos, como o vilão jamesbondiano Orbital, Drag Queen (que, bem, é uma drag queen), Goggle Eyes e Micro Blast, e até o músico Rob Zombie. Todos os personagens têm suas histórias e motivações para entrar no torneio e, seguindo a linha da franquia, têm design criativo e carismático.

Como se não bastasse, também era possível criar seu próprio carro, escolhendo entre “pequeno”, “médio” e “grande”, sendo que cada categoria tinha três modelos diferentes. Escolhia-se, então, a cor, a arma especial utilizada e – para mim, sempre a melhor parte – a frase de efeito. Era um sistema simples, mas te dava a sensação de ser parte dos personagens já disponíveis no jogo. Que logo de cara eram 13 – bastante para os padrões da época.

 

Gráficos e som

Graficamente, Twisted Metal 4 não é fantástico – como os cenários eram grandes, não era possível usar texturas muito detalhadas, e a quantidade de polígonos (quanto mais polígonos, mais suaves as formas) não era tão grande. Entretanto, o design dos carros era sensacional – com alguns deles inspirados por automóveis de verdade, como o McLaren F1, o Lamborghini Diablo ou o Mercedes-Benz Classe E W124. Havia também uma nave espacial chamda Quatro, um caminhão de lixo, o hot rod de Rob Zombie e até mesmo um carrinho de brinquedo.

O design dos cenários, porém, é o grande trunfo. As arenas variavam entre uma cidade futurista, um complexo de extração de petróleo, uma rodovia deserta e até mesmo um quarto gigante. Havia muitas áreas secretas para explorar, rampas, abismos e até portais de teletransporte. A parte mais bacana era memorizar onde ficavam os power ups, itens de cura e armas secretas – e todos tinham a sua combinação favorita de itens. Era extremamente satisfatório encurralar um adversário e cobri-lo de mísseis, ou então deixar uma bomba armada, pronta para detonar, e esperar alguém passar por cima dela.

 

Os carros amassavam, os pneus giravam, as rodas dianteiras esterçavam – tudo meio pixelado, com uma taxa de frames não muito estável, mas a experiência toda era bem fluida e os pequenos bugs, por vezes, até te ajudavam em alguns momentos (como quando seu carro atravessava o chão entre uma rampa e outra.

O som era satisfatório – a trilha sonora era composta por rock pesado com pegada eletrônica (com duas canções de Rob Zombie), os efeitos sonoros eram criativos e os roncos dos carros eram adequados a cada um deles, como o zunido futurista da nave espacial, o berro rouco do muscle car, ou o barulho embaralhado do hot rod. Ah, e mesmo quando o carro era conduzido por uma mulher, o grito que se ouvia quando alguém morria era masculino. Eu sempre achei isto engraçado.

 

Conclusão

Podem ser os óculos de lentes rosadas da nostalgia falando mas, para mim, Twisted Metal 4 está na lista de indispensáveis para o PlayStation – eu o considero o melhor dos quatro primeiros títulos da franquia que inspirou outro clássico, Vigilante 8, da Activision, e um game muito bem resolvido, divertido e ótimo tanto para zerar quanto para uma jogatina casual e caótica.