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Carros Antigos

Um nome, quatro carros: os diferentes Monza da General Motors


Na década de 1980, um sedã médio foi o carro mais vendido do Brasil. Parece difícil de acreditar, mas aconteceu mesmo: por três anos consecutivos, em 1984, 1985 e 1986, o automóvel mais vendido do País foi o Chevrolet Monza. Por aí se pode calcular o tamanho de sua popularidade.

O Chevrolet Monza foi lançado em 1982 para ficar entre o Chevette e o Opala, oferecendo uma plataforma mais moderna e refinada que ambos – com motor transversal, comando no cabeçote e tração dianteira. Assim como o Chevette e o Opala, o Monza também era um projeto de origem europeia: o original era o Opel Ascona C, lançado na Alemanha em 1981 (um ano antes da chegada do Monza ao Brasil). Os dois carros eram praticamente idênticos, e as diferenças entre eles eram apenas detalhes como emblemas e design das rodas. No Brasil, o nome Monza foi adotado porque “Ascona” poderia ser associado à palavra “asco”, que quer dizer “nojo” ou “repulsa”.

Nosso Monza foi vendido como hatchback nos primeiros anos, ganhando a carroceria sedã apenas no ano seguinte – inicialmente com quatro portas e, a partir de 1984, também com duas portas. Bonito, bem acabado e confiável, o Monza brasileiro teve uma vida longa e próspera, dando origem até mesmo a uma versão esportiva (o hot hatch Monza S/R, vendido entre 1985 e 1988). Reestilizado em 1991, com linhas mais retas e uma dianteira mais baixa, o Monza ganhou o apelido “Tubarão” e continuou vendendo relativamente bem até ser substituído pelo Vectra B em 1996. Mais de 850.000 exemplares do Monza foram vendidos no Brasil em seus 14 anos de carreira.

Mas o nome Monza já havia sido usado antes pela GM – tanto nos EUA quanto na Europa. E continua sendo usado até hoje na China. E é sobre isto que vamos falar neste post.

 

O primeiro Monza – 1975 a 1980

O nome Monza foi usado pela primeira vez na década de 1960, para uma versão mais cara do Chevrolet Corvair – o compacto com motor boxer a ar, montado na traseira, que a fabricante vendeu entre 1959 e 1964. Mas o primeiro Chevrolet Monza de fato foi lançado nos EUA em 1975.

O Chevrolet Monza original nasceu em um período conturbado. Os EUA ainda se recuperavam da Crise do Petróleo de 1973, e GM precisava de um carro que fosse compacto, esportivo e acessível para ocupar uma posição abaixo do Chevrolet Camaro – que permanecia fiel à fórmula dos pony cars e só ganharia uma terceira geração em 1982. Foi uma estratégia diferente do que a Ford fez com o Mustang II, de 1974, transformando-o em um compacto meio sem graça.

O Monza de 1975 era um compacto baseado no Chevrolet Vega, com quem dividia o entre-eixos de 2.464 mm e o motor quatro-cilindros de 2,3 litros, mas era 100 mm mais longo. Seu estilo era mais arrojado que o do Chevrolet Vega, com uma traseira fastback que praticamente formava uma linha contínua com o teto. John DeLorean, que na época era um dos altos executivos da Chevrolet, chamava o Monza de “Vega italiano”, associando seu estilo ao da Ferrari 365 GTB Daytona – ainda que a semelhança fosse apenas passageira.

Ao longo de seu período em produção, o Chevrolet Monza original teve alguns motores diferentes, incluindo os quatro-cilindros de 2,3 e 2,5 litros, um V6 de 3,2 ou 3,8 litros, e um V8 de 4,3 litros, cinco litros ou 5,7 litros. O que pouca gente sabe é que o Chevrolet Monza quase teve um motor rotativo Wankel. Era o plano da GM utilizá-lo desde o início – tanto que os americanos pagaram US$ 50 milhões à alema NSU para isto. Porém, temerosos pela falta de eficiência energética e por problemas com a selagem dos rotores levaram a GM a desistir do Wankel.

Inicialmente oferecido apenas como um hatchback de duas portas e quatro lugares, O Chevrolet Monza foi vendido nos EUA apenas entre 1975 e 1980, e teve pouco mais de 730.000 exemplares fabricados – não dá para dizer que ele foi um fracasso, pelo contrário. Mas ele só fez sucesso quando a Chevrolet decidiu dar a ele diferentes versões de carroceria, incluindo uma perua de quatro portas, um cupê de três volumes e um hatchback convencional, de cinco lugares.

De todo modo, no início da década de 1980 a GM estava pronta para estrear nos EUA a nova plataforma J, que era global e deu origem ao Chevrolet Cavalier, ao Cadillac Cimarron, ao Buick Skyhawk, ao Oldsmobile Firenza e ao Pontiac J2000. E, claro, ao Opel Ascona e ao Chevrolet Monza, sobre os quais vamos falar logo, logo.

 

Opel Monza – 1978 a 1986

O segundo Monza da GM foi um Opel, lançado pouco depois do Monza norte-americano – em 1978. Ele era a versão cupê do Opel Senator, que por sua vez era um modelo mais luxuoso baseado no Opel Rekord E. Eo Rekord E era o antecessor do Opel Omega, que conhecemos tão bem. Se parece confuso… é porque a linha da Opel era mesmo confusa na década de 1970.

O Opel Monza era considerado um “cupê executivo”, e tinha a ambição de disputar público com o BMW Série 6 e o Mercedes-Benz W126. Mas ele não foi exatamente bem sucedido nesta abordagem – em grande parte, porque compartilhava muitos componentes com o Opel Rekord, que era um modelo bem mais barato, incluindo o tecido dos bancos, o quadro de instrumentos, e diversos itens de acabamento do interior.

Por outro lado, ele tinha tração traseira. E fazia isto:

Outro problema era o câmbio manual de quatro marchas, um projeto proprietário da Opel que sofria problemas de durabilidade e não estava à altura do motor de seis cilindros do Monza – o Opel CiH, que deu origem ao motor do nosso Omega 3.0 anos depois. Pouco tempo depois, foi adotado um câmbio de cinco marchas da Getrag, bem mais robusto.

O Opel Monza passou por um facelift em 1982, ganhando faróis mais largos e baixos e lanternas traseiras ligadas por uma régua de acrílico que tomava toda a largura da traseira. Em 1983 foi lançado o Monza GSE, que tinha um motor seis-cilindros de três litros com 24 válvulas e 180 cv. Era um bom cojunto, especialmente considerando a suspensão independente nas quatro rodas que garantia excelente manejo.

Sendo um modelo mais caro, o Opel Monza vendeu relativamente pouco – cerca de 43.000 exemplares entre 1978 e 1986.

 

O Monza moderno

O nome Monza tornou a ser usado pela General Motors em 2013, quando foi apresentado no Salão de Frankfurt o conceito Opel Monza – um cupê híbrido movido por um motor elétrico, mais um motor a gás natural de 1,3 litro como extensor de autonomia.

Na época, chegou-se a especular que o carro daria origem a um modelo de produção. Entretanto, com as mudanças no mercado e a recente compra da Opel pela PSA Peugeot Citroën, o plano foi abortado.

Isto posto, o nome Monza retornou anos depois – recentemente, começou a ser vendido na China um Chevrolet Monza. Desenvolvido localmente, o atual Monza foi criado para ficar abaixo do Chevrolet Cruze, e oferece apenas motores turbinados: um 1.0 de 123 cv, e um 1.3 de 161 cv, ambos de três cilindros.

O motor 1.3 só vem acoplado a um câmbio de dupla embreagem e seis marchas. Já o 1.0 pode ser adquirido também com um câmbio manual de seis marchas. Acha que este novo Monza teria espaço por aqui?

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