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Uma Chevrolet A10 com V8 de Corvette | FlatOut Street


O quadro FlatOut Street se dedica aos carros preparados e customizados estrangeiros e nacionais, de todas as épocas e estilos.
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God bless America!

Todo entusiasta tem seu tipo de carro favorito – este escriba não é exceção, com sua obsessão por hatchbacks pequenos, baratos e divertidos (se forem italianos, melhor). Mas todo bom entusiasta sabe que, de forma geral, qualquer carro merece cuidado, atenção e, dependendo das condições financeiras e psicológicas de seu dono, boas modificações.

Saymon Misiak é um deles. O Fiat 147 turbo que apareceu no FlatOut Street há duas semanas foi seu primeiro carro, e a concretização de um sonho. Mas Saymon não parou no primeiro carro – ele tem outros projetos de modificação e preparação. E, como mencionamos na matéria do Fiat, eles também terão seu espaço no quadro.

E o astro da vez – ou melhor, a estrela da vez – é uma picape: uma Chevrolet A10 1984. “É uma A10”, Saymon me lembra depois da quinta ou sexta vez em que me referi à caminhonete como C10. “Tinha a D10, que era a diesel, a C10 a gasolina, e a A10, que era a álcool.”

De qualquer forma, a A10 de Saymon não é mais movida a álcool: agora ela tem um V8 Corvette com nitro e potencial para chegar aos 500 cv ao girar uma chave. É uma bela mistura de força americana e “lataria” brasileira.

 

Um pouco de história

A Chevrolet começou a fabricar picapes no Brasil em 1958 – dez anos antes da estreia do Opala – com a 3100, também conhecida como Chevrolet Brasil. Sucessora da famosa “Marta Rocha” (que, por sua vez, sucedia a Advance Design) ela foi o primeiro modelo da Chevrolet a utilizar mais componentes nacionais que importados – inicialmente, 54% das peças eram brasileiras, passando a 90% depois que a picape abriu mão dos motores norte-americanos começou a utilizar motores fabricados em São Bernardo do Campo (SP).

A Chevrolet 3100 foi substituída em 1964 pela Chevrolet C-14/C-15 (o nome dependia do entre-eixos). Esta era tecnicamente uma atualização da Chevrolet Brasil, com estilo foi concebido pelo projetista americano Luther Stier, que veio dos EUA em 1957 com a exata missão de modernizar a picape brasileira. E seu trabalho foi bem feito: com para-lamas na mesma altura do capô, para-brisa mais inclinado e cabine mais baixa, a caminhonete ficou muito mais jovem (para a época), perdendo o jeitão de caminhão e ganhando, enfim, condições de concorrer com a Ford F-100. O estilo americano caiu muito bem à picape brasileira.

O estilo da C-14 foi tão feliz, na verdade, que a Chevrolet o utilizou praticamente sem alterações por 25 anos – ela só deixou de ser fabricada em 1989, quatro anos depois do lançamento da C-20, que veio a sucedê-la.

O nome C-10 foi adotado em 1974, acompanhando a nomenclatura norte-americana. Dois anos depois, em 1976, o motor de quatro cilindros e 2,5 litros utilizado pelo Opala passou a ser oferecido como alternativa ao seis-em-linha de 4,3 litros. Em 1978 veio a versão a diesel D-10, com um quatro-cilindros Perkins de 3,8 litros. A A-10 chegou em 1980, com uma versão a álcool do motor do Opala. Em 1981, o antigo seis-cilindros 4.3 saiu de cena e em seu lugar entrou o 4.1 do Opala, também a gasolina ou a álcool.

 

Segundas intenções

A Chevrolet A-10 de Saymon é um exemplar de 1984, comprado há cerca de três anos. “Eu sempre quis montar uma picape com motor V8 e kit nitro”, conta Saymon. “Mas não estava procurando por uma. Esta aqui simplesmente apareceu. Foi a indicação de um amigo – ele disse que o dono havia comprado um Galaxie e estava querendo se desfazer da caminhonete. E deu certo.”

Saymon conta que, ao bater os olhos na A-10, já percebeu que ela daria uma bela base para um projeto. “A caminhonete trocou de dono algumas vezes, mas sempre dentro da mesma família”, recorda Saymon. “E nunca foi usada para trabalhar – sempre foi um veículo de passeio. Então a estrutura estava boa e a caçamba estava conservada. Ela foi muito bem cuidada ao longo da vida.”

Bem cuidada e modificada, na verdade. “Ela já havia passado por uma restauração, deve fazer cinco ou seis anos”, Saymon observa. “E o dono havia acabado de instalar um motor seis-cilindros de Opala nela. Mas, desde o início, esta caminhonete foi comprada com a intenção de instalar um V8 americano.”

 

Corvette power

E o V8 veio, cinco meses depois – um small block 350 saído do cofre de um Corvette 1986, já com injeção eletrônica. “Assim que comprei o motor, já abri para revisar e conferir seu verdadeiro estado – e ele estava totalmente standard, provavelmente conservando boa parte dos 280 cv originais.”

Naturalmente, o motor passou por um overhaul. Componentes internos como virabrequim, pistões e bielas foram conservados nas especificações originais, mas peças como bronzinas, bomba de óleo e injetores são mais robustas. Os cabeçotes foram rebaixados para ganhar taxa de compressão, e o sistema de injeção eletrônica foi substituído por um FuelTech – mais moderno e confiável que o sistema TPI que o Corvette trazia de fábrica em 1986, além de permitir um acerto mais flexível do motor.

O passo seguinte foi comprar um sistema de injeção de óxido nitroso da NOS – que garante mais 150 cv quando acionado. Saymon diz que o motor ainda não foi afinado para trabalhar com o “gás do riso”, mas acredita que após o acerto final o conjunto chegará nos 350 cv no virabrequim. Somando-se a potência extra do nitro, chega-se a 500 cv.

Evidentemente, para segurar os impulsos de uma picape fabricada em 1984 com quase seis vezes a potência original, foram feitas outras modificações além do motor: suspensão e freios agora são mais robustos, vindos da Chevrolet Silverado. Curiosamente, o câmbio Clark de quatro marchas é o original da picape – e Saymon garante que ele aguenta muito bem o tranco.

Por dentro há poucas modificações, quase todas elas funcionais: modificações funcionais – um conta-giros com shift light na coluna de direção e uma tela para controlar a injeção programável no console central. Bancos e revestimentos foram refeitos no padrão de fábrica, e o único luxo de que dispõe a cabine não se vê: a direção com assistência hidráulica.

Realmente, como no Fiat 147 Turbo, a ordem aqui é discrição. Quem só vê as rodas pintadas de preto brilhante, os pneus mais largos e a suspensão levemente rebaixada pode não desconfiar que há o coração de um Corvette, comandado por uma caixa manual de quatro marchas, debaixo da hoje impecável carroceria. 

O entusiasta ressalta que a A-10 (que agora tem motor a gasolina – “virou uma C-10”, brinca Saymon) é um projeto de lazer, para curtir aos finais de semana.

Ele diz que o conjunto é confiável – talvez até mais que o original – e que não quis alterar demais as características estéticas. “As rodas de aço da D-20 com pneus 295 atrás e 255 na frente garantem tração. Dá para brincar na pista e se divertir, mas esse não é o propósito dela”, finaliza.

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