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Automobilismo Project Cars Project Cars #43 Viagens e Aventuras

Veja como foi a experiência do Ford Focus Turbo “MothaFocus” na 3a Subida de Montanha de Campo Largo


Era algo próximo às 10:30 do domingo (29) quando ouvi o espirro do turbo atrás de mim: o Focus “MothaFocus” de Gus Loeffler, o Project Cars #43, estava para largar na 3ª Subida da Montanha de Campo Largo. Sob sol escaldante, eu estava filmando as largadas, que ocorriam a cada dois minutos. Sendo o carro dele um dos últimos a partir nesta primeira perna, sabia que também estava chegando a hora de eu me deslocar para alguma curva no meio do trajeto para filmar passagens.

Cento e vinte segundos depois, o Ford arranca de motor cheio, largando grossas marcas dos Yokohama Advan Neova no solo e cheiro de etanol no ar. “Acelera com vontade essa porra!”, pensei enquanto via na câmera – com muita dificuldade devido aos reflexos do sol – os previews das largadas dos outros pilotos.

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Três minutos mais tarde, Henrique Christófoli, da Focuspeed, me chama com nervosismo indisfarçável. “Você está sabendo o que aconteceu?” – uma pergunta que me deixou confuso e incomodado. “Do que você está falando?”, perguntei. “Fogo, o carro do Gus parece que pegou fogo, é o que eu ouvi pelo rádio da organização!”. O pavor durou um segundo. Nesse momento tive um ato reflexo baseado em experiências anteriores: olhei para as pessoas à minha volta, principalmente para a turma de coletes que estava com rádio. Não havia silêncio, agitação nem semblantes tensos, então eu já sabia que um acidente não teria sido – e se fosse, sem gravidade.

“Calma cara, eu acho que não foi grave. Se tivesse sido isso aqui já estaria com um clima bem diferente. Espero que o carro não tenha estragado muito. Que merda, que merda”. Nesse instante o Henrique já tinha partido para tentar pegar mais informações com os organizadores. Sem sinal de celular nem a possibilidade de nos deslocarmos até o local do incêndio, estávamos meio que algemados no local. As informações chegaram em conta-gotas.

Primeiro, soubemos que o carro não tinha batido. Menos mal. Depois, que ele tinha passado pela linha de chegada pegando fogo. Então, de forma indireta, sabíamos que Loeffler estava bem. Mas será que o Focus se incendiou até virar cinzas depois disso? Ficamos com esta dúvida no ar até o Peugeot 207 XRC de Maurício Neves, o último a largar nesta primeira bateria, partir montanha acima. E na sequência lá fomos nós, a bordo do Ford Fiesta que usamos para descer até Campo Largo.

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Quando vi a traseira chamuscada do Focus, senti um alívio um pouco maior, embora não tivesse entendido exatamente o que tivesse acontecido. Será que a temperatura ou uma labareda do escape reagiu com os adesivos? Mas havia um spray de algo borrifado em volta do vidro e do restante da tampa. Etanol, será? Passei o dedo, que escorregou. Óleo. Nada bom.

Esperamos ao lado do MothaFocus. Foram mais uns dois minutos até Loeffler aparecer para dar a notícia: o motor explodiu. Com semblante tranquilo, custei a entender a situação até ele falar que o motor tinha ido aos ares meio quilômetro antes da chegada, e que mesmo assim ele tinha conseguido cravar a terceira posição da Pro-Mod – e que dali em diante seria torcer para não perder esta posição. Colocando em perspectiva sobre todas as coisas que poderiam ter acontecido com o carro, realmente não era pra ficar tão chateado. Pelo contrário, minutos depois já estávamos brincando sobre o ocorrido.

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Agora chegou a hora de vocês entenderem e visualizarem exatamente como que isso aconteceu. O vídeo abaixo contém um depoimento de Loeffler sobre o incidente, os próximos passos do projeto (ou vocês acharam que ele tinha terminado?) e, principalmente, temos o vídeo on board comentado pelo próprio Gus, mostrando toda a subida, incluindo o momento da quebra do motor.

Aumente o volume – caso queira ir direito ao on board, coloque o vídeo em 4:40.


 

Descendo para a Rússia brasileira!

“E aí, quando vamos descer para a Subida?”. Foi com essa pergunta aparentemente paradoxal que começamos a combinar a aventura. Já era sabido que eu iria cobrir a prova (a edição anterior, de 2013, foi uma das últimas matérias que fizemos no Jalopnik – tanto que os vídeos dela já saíram pelo canal do FlatOut) e que Loeffler iria competir, então apenas alinhamos a sinergia. Para esta prova, além de uma série de upgrades mecânicos (que vocês conferiram neste post), o Focus traria um tema combinado das temporadas de 2001 e de 2002 do carro de Colin McRae, tudo feito em extremo sigilo para surpreender o público e os demais participantes.

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Descemos eu, Henrique Christófoli, Gus Loeffler e Juliana Macedo, no começo da manhã do sábado. Havia um certo clima de ansiedade no ar, pois muita coisa tinha dado errado nos dias anteriores. Uma quebra de câmbio, alguns pequenos problemas com os adesivos e a certeza de que o correto seria ter ao menos um dia dedicado para shakedown e ajustar os mapas de injeção e ignição ao ponto da perfeição, pois tudo acabou sendo feito no limite do tempo disponível. No topo disso, Loeffler sofreu um assalto em São Paulo na véspera da viagem, o que deixou o tempo – que já inexistia – ainda menor.

Apesar da ansiedade, procuramos enfrentar a situação com bom humor, que não foi abalada nem pela chuva nem pelo trânsito que pegamos no caminho. Deu até para registrarmos a passagem da fronteira!

O dia estava encaixado como um relógio: era chegar em Curitiba já quase no fim da tarde, passar na oficina do Narcizo (Zôngara Pinturas Especiais) para finalizar a adesivagem rapidamente, fazer um shakedown superficial no caminho de lá para Campo Largo, participar do briefing e da inspeção e depois remar para fazer os últimos ajustes no Mothafocus antes da manhã da prova. Ah, precisávamos comer. Engolimos um lanche no McDonald’s no caminho. Problema resolvido.

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Henrique (camiseta preta), Loeffler (cinza claro) e Narcizo (cinza escuro) removendo alguns adesivos que acabaram não ficando com a proporção ou a posição ideal. As fotos deste breve ensaio foram feitas na oficina de Narcizo – lembrando que os detalhes técnicos do Focus foram bem explicados pelo próprio Gus em seu post mais recente do Project Cars.

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O logo do FlatOut acabou ficando com as bordas finas (foto no alto à esquerda). Uma versão com bordas mais grossas e menor, que possibilitou a instalação centralizada no capô, foi a que adotamos (foto acima).

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Detalhe do para-choque dianteiro do Focus RS. Note a falta do adesivo do Colecionáveis na porta (fotos antes e depois).

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O emblema da Ford na porta traseira também foi reinstalado, bem como o da Vibevision, que foi reposicionado para o mesmo local da Telefonica no carro original.

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Special Stage em Curitiba

Este foi provavelmente um dos ensaios mais rápidos que eu já fiz na vida. Não havia tempo para esse tipo de capricho. Fiz meia dúzia de fotos correndo, enquanto o 2.0 Zetec turbinado esquentava… e de lá, chão. Tínhamos quinze minutos para chegar em Campo Largo. O teto de alumínio da oficina reverberava o som das gotas de chuva que começavam a cair. A Subida de Montanha já era desafiadora por si com sol. Piso molhado seria mais um fator a pesar na falta de tempo para se climatizar com esta última versão do MothaFocus. Por outro lado, seria um clima bastante vantajoso para a tração dianteira em relação aos carros de tração traseira (veja nosso post técnico sobre este assunto aqui).

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No instante em que o Focus pisou no asfalto pela primeira vez, não pudemos conter a emoção de vê-lo: “puta que o pariu!”. Sabemos que racing liveries viraram moda como estilo de personalização, mas a história, o desempenho e a própria aura deste carro gritavam por um legado legítimo. Não, ele não tem tração nas quatro rodas ou mesmo uma gaiola (ainda), mas bastava uma pequena e violenta esticada, acompanhada de um ronco anasalado, grave e seguida das explosões do sistema anti-lag, para a mensagem ficar clara: com 330 cv nas rodas, este não é exatamente um wanna be. Tentamos acompanhar como pudemos, mas tudo o que víamos era a suspensão traseira do Focus se comprimir, ouvíamos o motor berrando e a distância crescia como se estivéssemos parados.

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Duas ou três quadras depois, contudo, alguma coisa começou a acontecer. Notei que as explosões do anti lag estavam acontecendo tarde demais, o que faria do anti lag algo inútil e incômodo. Ao parar do lado de Gus no semáforo, ele confirmou o diagnóstico: “o anti lag está entrando quase na marcha lenta, acho que está engordando o carro e deixando a pegada dele em baixa suja. Mas ao mesmo tempo, nas esticadas senti uma faltinha perto de seis mil…”, afirmou. “Pode deixar que a gente dá um jeito nisso depois com o laptop”, respondeu Henrique.

Chegamos no hotel Tulip In de Campo Largo a menos de dez minutos de o briefing começar.

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Não tão simples

A noite já tinha caído, mas ainda sequer tínhamos baixado o software da Pro Tune, pois um problema no TI do hotel o deixou sem internet por horas, situação que só foi resolvida próximo à meia-noite. De lá até a manhã seguinte, outro problema acabou castigando o carro de Gus: a conexão não estava sendo reconhecida pela porta do laptop. Como resultado, Loeffler teve de partir para a prova sem conseguir ajustar o mapa. O importante era evitar passar das 6.000 rpm para não dar falta de combustível (o que elevaria demais a temperatura da cabeça dos pistões), mas as rotações também não podiam ficar muito baixas, pois o anti-lag entraria em ação e deixaria o mapeamento ainda mais confuso.

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O desafio era grande, pois além de o carro subir de giro muito rápido, todo o conjunto dinâmico estava reajustado e esta seria a primeira vez que Gus faria o traçado podendo utilizar as faixas de asfalto que emolduram a pista de concreto. Ou seja, bastante coisa para associar em uma configuração na qual ele mal pôde se climatizar.

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A ida para Campo Largo foi marcada pela escolta de vários carros de leitores, que filmaram e fotografaram o MothaFocus de todas as formas possíveis. Alguns deles arriscaram até um pouco demais nessa perseguição…

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Henrique, Gus e o preparador Francisco Abadia. Ao fundo, o Evo IX que conquistou o topo da categoria Pro-Mod, com Vitor Fischer ao volante.

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Apoio da família foi fundamental. Além da mãe, seus irmão Max e Bruno também acompanharam a prova.

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Lado a lado, o Ford Focus “MothaFocus” de Gustavo Loeffler e o Project Cars #123, o BMW 325i E36 de track days de Fabio Baggio,

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Guincho, já no fim da tarde de domingo.

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Premiação pelo terceiro lugar conquistado. E uma expressão suspeita!

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No começo da noite o guincho deixou o carro temporariamente na casa de sua família. Em breve o Focus estará de volta à São Paulo para os novos trabalhos. No caminho de volta, as brincadeiras entre os amigos que sabiam que nada de grave tinha acontecido… já pegavam fogo!

Abaixo, algumas palavras de Gus Loeffler sobre a sua participação nesta Subida de Montanha.

“Indo para a prova, fui pensando no que fazer. São três subidas, onde vale o menor tempo apenas. Pensei se seria melhor subir a primeira tranquilo pra não arriscar o motor, ou o oposto, subir “com os dois pés” pra tentar fechar um bom tempo já na primeira, pois talvez o motor não aguentasse as outras duas. Deixei pra decidir na largada.

O nível dos carros esse ano estava muito alto, e pra ajudar, minha categoria era a pior: Lancer EVO IX de rally, Lancer EVO VII fuçado, Subaru de rua fuçado, Subaru Killer de track day (um dos carros mais rápidos nos tracks do AIC), BMW de track day (o PC do Fabio Baggio), Gol de endurance, Gol de velocidade na terra e eu, com um Focus de rua… Tesão pra caramba…

Imediatamente virei a chave para o “modo soviético”, e parti morro acima com tudo pra cravar um tempo na primeira mesmo. Acho que nunca fui tão agressivo na tocada como dessa vez, indo pro risco total o tempo todo. O carro estava bem rápido mas sob controle, tracionando muito e com uma excelente aderência o tempo todo, bastante equilibrado e me permitindo andar forte.

Saindo do “Z do Zucarelli”, entrando no trecho final de alta (500 m em subida, feitos em 4ª marcha “cano cheio”), o motor deu falta antes dos 6.000 RPM, e quando tirei o pé e cravei de novo, lá se foi o motor inteiro…

Minha primeira preocupação foi tirar o carro da pista pra não sujar e estragar a corrida dos outros, mas quando comecei a tirar o carro pra direita vi o fogo pelo espelho, passando da altura do vidro traseiro, e decidi seguir até o fim pra ventilar e evitar de queimar o carro todo, e ao mesmo tempo pensando em fechar meu tempo, pois sabia que estava vindo rápido.

Acabou dando certo, o fogo praticamente apagou antes da chegada, e fechei o 3º tempo na minha categoria e 11º na Geral entre 25 carros. Quando parei, o Marcelo Preiss, organizador do evento, já estava com o extintor na mão. Abri o capô e apagamos um pouco de fogo que ainda restava em alguns fios.

Agradeço MUITO aos amigos da oficina Akira Motors, Focuspeed, Akamine Soldas, Funari Automotiva, ATS Pneus, Roda Mais, Carmisetaria, Os Colecionáveis, VibeVision Adesivos, Zôngara Pinturas Especiais, Yokohama, Flatout, ProTune, por acreditarem no projeto e por todo o apoio. Sem esse esforço conjunto, esse carro nunca seria nem metade do que é.

Como curiosidade, no WRC da Finlândia em 2002 meu ídolo McRae teve um problema também com fogo na traseira do Focus, e a parte bizarra era ser o mesmo layout, e o mesmo numero do carro (5)…. Alguns amigos já me disseram pra ficar longe de helicópteros…”

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