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História

A evolução dos capacetes de Ayrton Senna


Mais do que um dos melhores pilotos de todos os tempos, Ayrton Senna é um ícone, uma lenda. Além de sua pilotagem, cuja técnica e elegância beiravam o absurdo, a imagem de Ayrton é muito forte. E, irremediavelmente ligado a esta imagem, estava seu capacete: sempre amarelo, com dois filetes horizontais, um verde e outro azul, com uma área amarela entre eles – as cores da bandeira brasileira, que o acompanharam por toda a carreira, até o último dia de sua vida.

Ontem, 23 de setembro de 2019, completaram-se 40 anos da primeira vez em que Ayrton usou um capacete com estas cores. Foi no Campeonato Mundial de Kart, realizado em Portugal, no Autódromo do Estoril – o mesmo, aliás, onde Senna conquistou sua primeira vitória na Fórmula 1, em abril de 1985, com o Lotus 97T.

Nem sempre Ayrton Senna usou capacetes amarelos. Nos primeiros anos em que competiu oficialmente, na primeira metade da década de 1970, Senna usou alguns capacetes brancos, às vezes com detalhes em azul.

Foi só no Campeonato Mundial de Kart de 1978 que o brasileiro adotou a cor amarela, com uma linha longitudinal no topo e o brasão da Confederação Brasileira de Automobilismo nas laterais.

Na época, Senna já era um dos expoentes brasileiros no kartismo, e conquistou seu primeiro título no Campeonato Brasileiro de Kart. O piloto também foi à França para participar do Campeonato Mundial de Kart, e foi o sexto colocado.

No ano seguinte, porém, Senna começou a usar um capacete diferente, com todas as quatro cores da bandeira brasileira – azul, verde, amarelo e branco, de baixo para cima, nesta ordem. Foi com este capacete que Senna correu no Brasileiro de Kart, sagrando-se bicampeão.

Este capacete, porém, não durou muito tempo. No Campeonato Mundial de Kart, que em 1979 foi realizado no Autódromo do Estoril, em Portugal (a cada ano um país diferente sediava a competição), era preciso que todos os membros da delegação – que, no caso do Brasil, eram quatro – utilizassem capacetes iguais. E a cor principal deveria ser diferente para cada país.

E é aí que entra Sid Mosca, o fundador da Sid Special Paint. Sid pintava capacetes havia pelo menos seis anos, e já havia feito a pintura dos capacetes de Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet. Ele foi o encarregado de criar as cores para a delegação brasileira no Mundial de Kart, e como contou seu filho, Alan Mosca, em um vídeo feito pela McLaren no fim de 2018, teve menos de uma semana para criar o design e executá-lo. Alan Mosca atualmente é quem comanda a empresa fundada pelo pai.

Para sua sorte, Sid era adepto de temas discretos, quase minimalista, e trabalhava com cores alegres e marcantes. Logo de cara, Sid imaginou um tema com listras horizontais, em uma reinterpretação do capacete usado por Senna em 1978. De acordo com Alan, por mais que a delegação fosse composta por quatro pilotos, o foco estava em Ayrton.

A ideia inicial era que o capacete fosse verde, com uma faixa amarela e outra azul saindo da região dos olhos. No entanto, logo Sid chegou à conclusão de que um tom de verde parecido com o da nossa bandeira ficaria escuro demais, e não daria destaque aos pilotos brasileiros. Os outros países já usavam cores escuras – o capacete dos franceses era azul, o dos italianos, vermelho. Por isso, Sid decidiu trocar a ordem das coires e colocou o amarelo no fundo, em destaque. O branco ficava mais discreto, em filetes nas bordas das faixas.

O mundial de kart foi disputado entre os dias 18 e 23 de setembro, mas só no último dia Senna usou o capacete novo. Ele terminou a competição em segundo lugar, seu melhor resultado internacional até aquele momento.

Por conta disto, Ayrton Senna decidiu manter o design criado por Sid Mosca como sua marca pessoal. Ele pediu autorização ao artista. A partir dali, Senna não utilizou nenhuma outra pintura no casco.

Isto posto, existiram algumas versões diferentes da clássica pintura, geralmente coincidindo com mudanças de patrocinador. Por exemplo, entre 1979 e 1982, período durante o qual Senna competiu na Fórmula Ford e na Fórmula 2000 britânicas, seu capacete era o Arai Quantum F. O amarelo era de um tom mais fechado, e as faixas verde e azul também eram mais escuras. A partir de 1983, quando começou sua bateria de testes na Fórmula 1, Senna passou a o Bell M3, permanecendo com ele até 1989. Ou seja: o Bell M3 foi usado por Senna na Toleman, na Lotus e na McLaren.

O que mudava era a cor do capacete, dependendo da equina qual Senna estava. As tonalidades originais foram usadas ao longo do período de Senna na Toleman.

Em 1985, quando foi contratado pela Lotus, Senna trocou o amarelo-ouro por uma tinta fluorescente, que favorecia o contraste com a pintura preta da equipe inglesa. Depois que Ayrton Senna deixou a Lotus, no fim de 1987, o amarelo voltou a ser mais fechado.

Em 1990, Senna trocou a Bell pela Rheos, permanecendo com ela até 1992, quando começou a usar capacetes Shoei. Em 1993, seu último ano pela McLaren, Senna tornou a usar capacetes Bell – empresa que tornou-se a última a fornecer um capacete a Ayrton Senna.

 

Aliás, um dos últimos capacetes usados por Ayrton Senna é também um dos mais curiosos: um Bell Vortex Tyle SS Penske, modelo 93/94 – que, segundo informações da casa de leiões, era mais popular entre os pilotos da Fórmula Indy. Ayrton não se acostumou com o formato do capacete, e só o utilizou durante alguns testes no circuito de Paul Ricard em março de 1994, dois meses antes do acidente que tirou sua vida. O capacete foi colocado à venda pela Silverstone Auctions em 2012, mas não chegou a ser arrematado.

Atualmente, é muito comum que se encontre réplicas do capacete de Ayrton à venda – embora a única empresa que, oficialmente, tem permissão de reproduzir a pintura original é a própria Sid Special Paint. mas é bem mais raro ver uma peça autêntica, usada pelo piloto em uma corrida. Quando isto acontece, geralmente é em um leilão. Em fevereiro de 2019, por exemplo, um Rheos usado por Senna em 1990 com marcas de uso foi vendido pela RM Sotheby’s por £ 162.000 – mais de R$ 840.000 em conversão direta.

 

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