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Automobilismo

Ayrton Senna, piloto de Porsche


Já faz quase 30 anos que Ayrton Senna não está mais entre nós. É tanto tempo que mais da metade do grid da Fórmula 1 em 2022 ainda não era nascida em 1º de maio de 1994 — Alonso, Hamilton, Vettel, Ricciardo e Bottas são os que certamente lembram de Senna na ativa, mas Checo Perez mal tinha completado seus quatro anos naquele fim de semana, e Kevin Magnussen ainda usava fraldas. Os demais — Sainz, Verstappen, Leclerc, Norris, Russell, Albon, Schumacher, Latifi, Stroll, Tsunoda, Gasly, Ocon e Guanyu nasceram depois da morte de Senna.

Praticamente tudo o que se tinha para falar de Senna já foi dito — não é como os Beatles, que sempre desenterram uma foto inédita, umas fitas que nunca foram divulgadas e acabam se renovando mesmo depois de 50 anos. Os feitos de Senna estão bem registrados e divulgado, e a tragédia revelou muito do que era privado.

Há algumas passagens, contudo, que são menos lembradas ou relatadas com menos detalhes. Todos conhecemos o teste de Senna na Brabham com Piquet, ou o teste na Indy com Fittipaldi. Também conhecemos o fim de semana em que Senna pilotou carros de rali na Inglaterra e cansamos de relembrar a história de Senna em Nürburgring. Ou melhor dizendo: o dia em que, com carros iguais, Senna superou grandes pilotos no recém-inaugurado GP Strecke de Nürburgring.

Porque aquela não foi a única corrida que Senna disputou em Nürburgring fora de um Fórmula 1. E, curiosamente, aquela corrida não-oficial seria a única que ele venceria no circuito alemão. Senna venceu três vezes o GP da Alemanha, mas todos eles foram disputados em Hockenheimring. Em 1984, quando o GP da Europa foi para Nürburgring porque Brands Hatch não estava disponível, Senna abandonou na primeira volta. E em 1985, quando o GP foi disputado em Nürburgring pela última vez durante o tempo de carreira de Senna, ele abandonou na 28ª volta com uma quebra mecânica.

Aquela vitória em Nürburgring com os Mercedes-Benz 190E Cosworth apresentou ao mundo seu talento, mas parece ter cobrado o seu preço na forma de nunca mais vencer por ali. Senna correu três vezes no GP Strecke em 1984.

A primeira foi com os Mercedes 190E em maio. Ele voltaria em outubro com a Fórmula 1, mas antes disso, em julho, Senna foi convidado por ninguém menos que Reinhold Joest para pilotar um dos Porsche 956 de sua equipe, a Joest Racing. E ele faria isso ao lado de ninguém menos que Henri Pescarolo, um dos maiores nomes do endurance e das 24 Horas de Le Mans. O terceiro piloto seria o sueco Stefan Johansson, que havia feito apenas algumas provas esporádicas na F1 desde 1980, e só se consolidaria como piloto de F1 em 1985 com a Ferrari. Mas isso é outra história.

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A história aqui é que Senna foi apenas um dos pilotos da Fórmula 1 que toparam o convite para disputar a prova alemã. Isso, porque aquela seria a primeira edição dos 1.000 Km de Nürburgring no novo circuito, o que fez muita gente torcer o nariz. O convite fora feito a 11 pilotos da Fórmula 1, alguns já famosos como Niki Lauda, Alain Prost, Riccardo Patrese e Manfred Winkelhock, outros mais novatos como Stefan Bellof, Ayrton Senna e Thierry Boutsen. No fim das contas, Niki Lauda e Alain Prost não participaram e, talvez por isso, somente um terço do público esperado deu as caras. No fim das contas, os organizadores acabaram com um enorme prejuízo, pois eram necessários ao menos 30.000 pagantes para cobrir as despesas.

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No primeiro dia de testes Ayrton Senna já encontrou seu primeiro desafio: enquanto Pescarolo e Johansson testaram pela manhã, com a pista seca, Senna pegou o protótipo do Grupo C pela primeira vez debaixo de chuva, com pista molhada. Na classificação, Senna, ainda adaptando-se ao carro, não conseguiu melhorar as voltas de Pescarolo e Johansson e o carro acabou classificado em sétimo.

A corrida começou com pista molhada, mas a chuva deu trégua e o asfalto foi secando ao longo dos 1.000 km — algo semelhante ao que ocorrera semanas antes, durante a corrida dos Mercedes 190E. Senna conseguiu imprimir um ritmo forte, mas o carro teve problemas na embreagem logo nas primeiras voltas e passou 15 minutos nos boxes. Foi preciso virar o carro de ponta-cabeça, mas a equipe Joest conseguiu consertar e devolvê-lo à pista. O problema é que Senna estava oito voltas atrasado. Ele e seus companheiros de carro conseguiram ainda terminar a corrida na oitava posição.

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A disputa acabou ficando para as últimas voltas, quando a chuva voltou para encharcar a pista e trazer um pouco de imprevisibilidade. A vitória estava disputada entre Thierry Boutsen e David Hobbs, em um 956 da Fitzpatrick, e Stefan Bellof e Derek Bell em um Porsche 956 da equipe da própria fábrica. Nas últimas voltas, Boutsen fez uma sequência de voltas rápidas, mas teve que entrar para reabastecer, enquanto Bellof mantinha o ritmo forte que lhe garantiu 15 segundos de vantagem. Mesmo com um ritmo ainda mais rápido, Boutsen não conseguiu tirar a diferença e terminou a prova em segundo, atrás de Bellof e Bell.

Depois da prova, Reinhold Joest fez questão de elogiar o desempenho de Ayrton Senna. “Ele foi rápido logo nos primeiros treinos. Depois da corrida, ele ficou umas quatro horas conversando conosco, dando sugestões para deixar o carro mais rápido. Senna queria conhecer tudo sobre o 956. Trabalhou de maneira muito profissional para nós”.

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Foi a última corrida de Senna em um carro fechado. Senna concentrou-se na Fórmula 1 enquanto Bellof, o vencedor da prova e segundo colocado no GP de Mônaco de 1984 antes da desclassificação, seguiu dividindo sua carreira entre a Fórmula 1 na Tyrrel e o endurance na Porsche. Tragicamente, Bellof sofreria um acidente fatal em Spa-Francorchamps a bordo do 956 no ano seguinte. Já o 956 de Senna foi o mesmo carro usado por Klaus Ludwig, Paolo Barilla e John Winter na vitória da 24 Horas de Le Mans de 1985.

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