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Este Fiat 147 Turbo com 250 cv é quase um sleeper | FlatOut Street


O quadro FlatOut Street se dedica aos carros preparados e customizados estrangeiros e nacionais, de todas as épocas e estilos.
São matérias especiais, feitas para serem saboreadas como as das clássicas revistas que amamos.
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O fiel companheiro

Meu primeiro carro foi um Fiat Uno, e meu carro atual é um Fiat Uno – um feito em 1995, outro em 2008. Quase 15 anos de diferença entre os dois, e projeto praticamente idêntico. Meu Uno 2008 é um carro que foi projetado unicamente para fornecer transporte pessoal da forma mais barata e eficiente possível. Por vezes olho para ele com um pouco de malícia, e imagino como ele ficaria com novas rodas, uma boa repintura, para-choques novos (os dele já estão esbranquiçados e ressecados). Talvez até um volante novo, ou um sistema de som bacana.

Mas tenho outras prioridades, e estes pensamentos logo se dissolvem. O Uno é perfeito como é, cumpre perfeitamente sua função – e minhas duas experiências com ele até agora, me trouxeram muito mais alegria que dor de cabeça.

Antes do Uno, era o Fiat 147 que tinha esta função. Lançado em 1976, ele foi na verdade o primeiro Fiat produzido no Brasil – e, por um bom tempo, o único. De projeto italiano adaptado e redesenhado para o Brasil, o 147 viu-se obrigado a gerar toda uma família de modelos – perua, picape, sedã – e sustentar a estreia da firma ítalo-mineira.

Porém, mesmo protagonizando alguns pioneirismos, sendo o primeiro hatchback brasileiro com motor dianteiro transversal e o primeiro carro a álcool do Brasil, o Fiat 147 demorou a vingar. Eventualmente ele fez sucesso, mas nos primeiros anos o pequeno Fiat era visto como um carro frágil e fraco, vindo de uma marca que ainda não tinha tradição no mercado brasileiro. Mas ele pavimentou o caminho (e serviu de base) para seu bem sucedido herdeiro.

E foi um Fiat 147 o primeiro carro do nosso personagem de hoje – o curitibano Saymon Misiak, engenheiro mecânico e entusiasta de carros antigos e preparação.

O carro é um 147 fabricado em 1985 que ele ganhou do pai aos 18 anos – e, antes disto, o pequeno hatchback foi o carro de uso da família. Seu pai o havia comprado em 1986, ainda seminovo, e rodou com ele até 1994. Depois disto, o 147 ficou encostado até 2000, quando foi parar nas mãos de Saymon.

Então temos um rapaz recém-habilitado com um Fiat 147 Rallye parado há seis anos como seu primeiro possante. O que aconteceu, então? Uma relação, digamos… sobrealimentada. E que já dura vinte anos – esta é a resposta.

 

Não é um Fiat 147 qualquer

Em 2000, o Fiat 147 de Saymon ainda tinha 15 anos, e ainda faltavam mais 15 para que ele pudesse ser considerado, oficialmente, um carro antigo. Aos olhos de quem não curte muito carros, ele já não passava muito de “só mais um Fiat velho”. Mas para um garoto que havia acabado de ganhar as quatro rodas da independência, era um mundo de possibilidades.

Saymon sempre foi fã da versão esportiva Rallye, cujo sobrenome evocava os clássicos ralis em vias públicas na Itália, ifoi lançada em 1978 fazia papel de versão de topo com toque esportivo. Para isto, ele contava com um novo motor de 1,3 litro – 1.297 cm³, obtidos com o aumento do curso dos pistões do motor 1.050 de 57,8 mm para 71,5 mm. Movido a gasolina, ele entregava 72 cv brutos, sendo que a potência líquida devia ficar na casa dos 60 a 62 cv. Não era forte para um esportivo, mas compensava no baixo peso (tinha só 820 kg) e na dinâmica naturalmente bem resolvida graças à suspensão independente nas quatro rodas. Além, claro, de decoração exclusiva – um generoso spoiler frontal, faixas nas laterais, para-choques pintados de preto, faróis auxiliares, e outro spoiler na traseira.

Fabricado em 1985, o carro de Saymon foi todo caracterizado como um Rallye 1981, incluindo a troca da dianteira pela chamada “frente Europa”, com faróis menores e setas bicolor. Saymon procurou todos os componentes estéticos do 147 Rallye e a caracterização ficou perfeita – incluindo até mesmo o estepe com roda de miolo preto.

Saymon se dedicou a montar um projeto equilibrado, com um motor bem mais potente que o original de fábrica, porém discrição no exterior. Com o tempo, Saymon adquiriu experiência e outros automóveis preparados (que também vão aparecer no FlatOut Street em breve), mas fez questão de manter consigo seu primeiro veículo – e primeiro projeto.

 

Suas próprias regras

Fã da estética original do Fiat 147, Saymon procurou manter boa parte dela. O que se nota logo de cara é o jogo de rodas aftermarket – quatro Weld Pro Star de 15×7,5 polegadas, calçadas com pneus Achilles ATR-K 185/45 – e a altura da suspensão, que recebeu amortecedores encurtados na dianteira e coilovers na traseira, que também ganhou barras anti-torção. Com o vão entre os pneus e os para-lamas bem menor, a postura do pequeno 147 muda totalmente.

O trabalho de restauração levou cerca de dois anos, afinal, o carro estava parado havia bastante tempo e precisou de um talento geral. A maioria dos fãs do Fiat 147 – este escriba incluso – daria-se por satisfeito por aí: um Fiat 147 ajeitadinho, customizado de leve, para curtir aos fins de semana é uma ideia tentadora. Mas Saymon foi além e deu ao 147 Rallye “um pouquinho” de veneno.

 

Enquanto alguns prefeririam partir para uma receita de época, Saymon optou por dar ao Fiat 147 algo mais moderno. Leia-se: agora ele é turbinado e alimentado por um sistema de injeção eletrônica Fueltech. O turbo é um Garrett 4748, e o sistema de injeção é um FuelTech RacePro1 – suficientes para que o Fiasinha entregue seus 250 cv e 35 kgfm de torque. Sim, em um Fiat 147.

O motor foi totalmente refeito, com bloco 1.5 de Palio. O coletor de admissão é o mesmo dos Fiasa injetados mais modernos, com a borboleta ampliada para 50 mm de diâmetro e injetores Holley de 85 lb, mais duas bombas de combustível DPL e dosador 1:1 SPA. O comando de válvulas é original de fábrica, mas o enquadramento é regulável através de uma polia que também é da SPA. Já as válvulas em si tiveram as sedes retrabalhadas e o ângulo refeito para aumentar o fluxo. Os componentes internos do motor não foram substituídos – nada de pistões e bielas forjados, por exemplo, o que acaba atestando a robustez do motor Fiasa – que ronca bonito com um coletor de escape feito sob medida, tubulação de 2,5pol e apenas um abafador final.

A receita foi definida e executada em 2005. E, quinze anos depois, não mudou e continua muito eficaz.

A força do motor é moderada por um câmbio Fiat de cinco marchas com carcaça original, engrenagens reforçadas e embreagem de cerâmica de 900 lb e quatro pastilhas. E, para pará-lo, freios do Fiat Uno Turbo na dianteira, com pinças de quatro pistões.

O lado de dentro recebeu uma customização simples, com bancos Procar revestidos de couro e, no painel, um conta-giros com shift light e manômetro de pressão do turbo, mais mostradores para a pressão do óleo e amperagem da bateria.

 

Diversão de baixo custo

Saymon é apegado com seu Fiat 147 não apenas pelo fato de ter sido seu primeiro carro, mas pela eficácia da receita. “A mecânica, para se ter uma ideia, é a mesma há 15 anos”, diz Saymon. “E nesses 15 anos o carro continua andando bem, é muito leve e ágil, e alcança facilmente os 200 km/h – ou mais, só que aí já começa a ficar perigoso!”, brinca.

O entusiasta diz que o motor Fiasa é limitado pelo deslocamento, mas que em termos de robustez não fica devendo nada a outro motores mais populares para preparação turbinada – tanto que, andando há uma década e meia com 1,5 bar de pressão no turbo, ele nunca teve problemas com quebras ou falhas. A manutenção é feita em dia, regularmente e com componentes de qualidade, mas nunca foi preciso mais que trocar fluidos e limpar os injetores, por exemplo.

 

Saymon diz que pensa em modernizar o Fiat 147 quando puder – instalar um sistema de injeção programável mais moderno e dar uma repaginada no interior com elementos estéticos mais atuais. Mas, seja como for, o Fiat 147 não vai a lugar algum no que depender de seu dono, mesmo que ele hoje em dia carros bem mais forte. “É o xodó, né? Vou ficar com ele enquanto puder.”

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