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Mercado e Indústria

Ford Territory contra todos: como ele se sai comparado aos rivais?


No início deste mês a Ford finalmente começou as vendas de seu crossover Territory, anunciado em novembro de 2018 durante o Salão do Automóvel. O modelo não era apenas aguardado pelo público, mas também por sua rede de concessionários, que já não tinham mais nada além do Ka e EcoSport para oferecer a quem procurasse um modelo de passeio convencional na faixa dos R$ 150.000, uma vez que o Fusion deixou de ser importado em 2019.

A expectativa era alta, afinal, a Ford o anunciou como um rival para o Jeep Compass, na época o crossover mais vendido no Brasil e ainda hoje líder de seu segmento. A receita soava promissora: preço competitivo, pacote de equipamentos bem-servido e itens até então inéditos no segmento. Além disso, ele também já era equipado com o motor turbo que falta ao Compass até hoje.

Com projeto e produção chineses — incluindo o motor EcoBoost, que não tem parentesco com nenhum motor Ford — e com um amplo espaço para posicionamento de preços a partir dos R$ 120.000, onde o EcoSport deixa de atuar, esperávamos que a Ford adotasse uma estratégia mais ousada com o Territory. Especialmente porque ela se dedicou a transformá-lo em algo além de um crossover chinês rebatizado — foram mais de 100.000 km de testes no Brasil, recalibragem da suspensão, redesign da cabine e seleção de materiais exclusiva para o mercado latino-americano, como o Juliano explica no vídeo mais abaixo.

Na ocasião de sua apresentação no Salão do Automóvel, a Ford não falou em preços, mas o pessoal que atendia a imprensa no estande falava em algo na faixa dos R$ 125.000. Claro, em 20 meses muita coisa mudou na economia mundial, incluindo inflação acumulada e uma valorização do dólar desde o início do ano, mas ainda assim esperávamos uma estratégia mais agressiva.

O Territory chegou há pouco mais de uma semana em duas versões, partindo dos R$ 165.900 e chegando aos R$ 187.900. No caso da versão de entrada, SEL, o valor inicial é superior ao do Compass Limited 2.0, mas a Ford cumpriu a promessa de oferecer um pacote mais recheado. Isso também se aplica à versão de topo Titanium quando comparada ao Compass Limited completo com todos os pacotes de opcionais. Ele oferece pouco mais pelo mesmo preço.

O problema é que a Ford parece ter se preocupado apenas com o Compass, que já não tem mais a força que tinha em novembro de 2018, e acabou esquecendo que ele também teria que brigar com o resto do mercado — que também se municiou contra o Compass, aliás — e, por isso, não consegue ser tão atraente como prometia, especialmente na versão de entrada.

Veja, por R$ 165.900, o Territory SEL oferece conjunto óptico integral de LED, teto solar panorâmico, rodas de 17 polegadas, ar-condicionado de uma zona com saída para o banco traseiro, sistema multimídia com tela de 10,1 polegadas, seis airbags (frontais, laterais e de cortina), retrovisor eletrocrômico, controles de tração, estabilidade e de partida em aclives, sistema de chave presencial, câmera de ré, sensor de ré, monitoramento de pressão dos pneus e cruise control. Os bancos são de tecido e o quadro de instrumentos usa mostradores físicos, com uma tela central TFT para o computador de bordo.

Com um salto de R$ 22.000, o Territory chega à versão Titanium, de R$ 187.900. Por esse preço ele acrescenta os bancos de couro que faltam na versão SEL e o quadro de instrumentos digital, além de rodas de 18 polegadas, ajustes elétricos no banco do motorista, aquecimento e ventilação dos bancos dianteiros, luz ambiente configurável, cruise control adaptativo (freia e acelera automaticamente), alerta de colisão com frenagem automática, monitoramento de ponto cego, alerta de mudança involuntária de faixa, assistente semi-autônomo de estacionamento, câmera de 360 graus, base de recarga de celulares por indução e, pasme, sensor crepuscular e sensor de chuva. Sim, somente na versão de quase R$ 190.000.

Isso já dá uma amostra das dificuldades que o Territory terá no enfrentamento da concorrência, afinal, até mesmo o EcoSport Titanium de menos de R$ 100.000 oferece estes sensores de série. Não ajuda também o fato de praticamente toda a lista de itens de série do Territory SEL ser apenas o padrão do segmento, caso dos retrovisores eletrocrômicos, da chave presencial, do sensor de ré e da câmera de ré, do cruise control, do controle de partida em aclives, e das saídas de ar-condicionado no banco traseiro. Todos os seus concorrentes diretos (e até um indireto) têm estes equipamentos — e por isso não serão mencionados no comparativo. Dito isso, veja como seus principais rivais se comparam a ele.

 

Chevrolet Equinox Premier 1.5 e 2.0

Na mesma faixa do Territory SEL, o Chevrolet Equinox Premier é o grande destaque. Ele também tem um motor 1.5 turbo de quatro cilindros, mas em vez de 150 cv como o Ford, ele entrega 172 cv. E a potência extra nem seria tão necessária para transportar o peso extra e o eixo motriz adicional do Chevrolet. Enquanto o Territory SEL pesa 1.602 kg e tem tração somente na dianteira, o Equinox Premier 1.5 pesa 1.640 kg e tem tração integral.

Quando se compara o pacote de itens de série, fica claro que a Ford parece mesmo ter ignorado o Equinox. O GM também tem seis airbags, também tem monitoramento de ponto cego, conjunto óptico de LED, sensores de estacionamento, câmera de ré, teto solar e sistema multimídia (com uma tela pouco menor, de oito polegadas, é verdade), também tem base de recarga por indução e cruise control.

Mas o Equinox tem os sensores de luminosidade e de chuva que o Territory SEL não tem. Tem farol alto adaptativo que o Ford não tem. Tem frenagem automática em baixas velocidades, tem sensores de estacionamento na dianteira, tem detecção de pedestres com frenagem de emergência, tem ar-condicionado de duas zonas, tem detecção de movimento na traseira (em marcha à ré), tem abertura elétrica do porta-malas pela chave ou por sensor (aquela passada de pé sob o para-choques) e tem para-brisa com isolamento acústico.

E sabe quanto ele custa? R$ 163.690. Sim: R$ 2.210 mais barato que o Territory. E tem mais: o Premier 2.0 tem os mesmos equipamentos do Premier 1.5 — muitos deles oferecidos somente no Territory Titanium — e ainda acrescenta os bancos com aquecimento e resfriamento, grade dianteira ativa para reduzir o consumo rodoviário e ajuste elétrico do banco do motorista por R$ 172.190.

Claro, o Equinox Premier 2.0 fica devendo a câmera de 360 graus, o assistente semi-autônomo de estacionamento, o quadro de instrumentos digital, a luz ambiente e as luzes de cortesia dos retrovisores, mas ele tem um 2.0 turbo de 262 cv. Mas quem se importa com estes itens tecnológicos do Territory quando você pode comprar 112 cv a mais por R$ 15.710 a menos? E nem estou considerando o fato de o Equinox ser um dos carros que menos perde valor, segundo o pessoal do KBB Brasil, nem que ele tem 468 litros de volume no enquanto o Territory para nos 420 litros, e que seu entre-eixos é sutilmente maior. Respondam vocês nos comentários.

 

Volkswagen Tiguan 250 TSI e Comfortline

Outra encrenca para o Territory SEL: o Tiguan tem duas versões para atacá-lo. A 250 TSI básica, quando equipada com o teto solar opcional, sai por R$ 149.460. Isso é R$ 16.440 mais barato que o Ford, o que também se explica pela lista de itens de série mais simples, que fica devendo o conjunto óptico de LED e o CarPlay sem fio, mas entrega sensor de chuva, ar-condicionado de duas zonas e sensor de estacionamento dianteiro, que o Territory não tem.

A outra versão é o Tiguan Comfortline, que custa R$ 171.690 — ou seja, é R$ 5.790 mais caro que o Territory SEL —, mas oferece quadro de instrumentos digital, sete lugares, aquecimento dos bancos dianteiros, ajuste elétrico do banco do motorista, cruise control e bancos de couro, itens que somente o Territory Titanium oferece.

O teto solar é um opcional salgado, que leva o preço para os R$ 177.160. Embora isso aumente a diferença para o Territory SEL para R$ 11.200, o pacote de itens de série é mais generoso e estamos falando de um carro com o sobrenome Allspace, que identifica a versão com entre-eixos longo, de 2,79 metros — 8 cm mais longo que o do Territory. Ainda que você não faça questão dos dois lugares a mais, você tem uma vantagem de 290 litros no volume do porta-malas, que, no Tiguan, tem 710 litros.

O Tiguan só deixa de ser atraente se comparado ao Territory Titanium, que cobra R$ 10.210 mais caro, porém oferece mais equipamentos de série, embora o maior espaço do Tiguan se mantenha como um forte argumento de venda. Tudo dependerá do que você procura: conforto e conveniência (Territory) ou espaço (Tiguan).

 

Jeep Compass Limited

Mesmo quando confrontado com seu alvo primário, o Jeep Compass Limited, o Ford Territory SEL deixa a desejar. O Jeep parte de R$ 159.390 e, embora não tenha o motor turbo, tem 16 cv a mais que o Territory, tem sete airbags (cortina, laterais, frontais e de joelho, que o Territory não tem), tem ajuste elétrico do banco do motorista, tem limitador de velocidade, alerta de ponto cego, partida remota, sensor de chuva e start stop.

Ele fica devendo os faróis de LED, mas tem um conjunto de xenônio com DRL de LED. O teto solar é um opcional salgado, que custa R$ 8.300, e eleva seu preço para R$ 167.690, mas isso é apenas R$ 1.790 mais caro e ele mantém os itens que o Territory SEL não oferece. E por mais R$ 1.500 os bancos trocam o tecido pelo couro.

O Jeep só fica em desvantagem quando comparado ao Territory Titanium. Para aproximá-lo da versão de topo do Ford, o Compass precisa do pacote High Tech, de R$ 8.800, que acrescenta o cruise control adaptativo, o alerta de mudança de faixa e o freio automático de emergência presentes no Titanium, além de farol alto automático, sistema de áudio premium e banco do passageiro com ajustes elétricos. Seu preço vai a R$ 177.990, R$ 9.910 mais barato que o Territory, mas ainda sem boa parte dos equipamentos dele — caso do quadro de instrumentos digital, aquecimento e ventilação dos bancos dianteiros, base de recarga por indução, do assistente semi-autônomo de estacionamento e todo o restante da suíte tecnológica do Ford.

A situação complica para o Compass porque ele não é tão grande quanto o Tiguan, nem tão potente quanto o Equinox 2.0: seu porta-malas é 10 litros menor que o do Territory, e seu entre-eixos é 8 cm mais curto. Nesse a Ford levou a melhor.

 

Mitsubishi Outlander HPE 2.0

O Territory SEL ainda tem um rival quase esquecido no mercado brasileiro: o Mitsubishi Outlander HPE, equipado em sua versão de entrada com um 2.0 16v de 160 cv e câmbio CVT com simulação de seis marchas.

Ele custa R$ 165.990 — R$ 90 a mais que o Territory SEL — e também tem um conjunto óptico de LED, seis airbags, teto solar e sistema multimídia, mas vai além com a tampa traseira elétrica, com dois lugares a mais, bancos de couro, ar-condicionado de duas zonas, cruise control adaptativo, frenagem autônoma de emergência e sete lugares.

Além disso, ele tem porta-malas maior, de 495 litros, ainda que tenha as dimensões gerais menores que a do Territory (entre-eixos é 4 cm mais curto, largura é 12 cm menor e comprimento é 16 cm mais curto). Aqui é importante notar que trata-se do modelo 2019/2020, o que tornou o preço mais competitivo.

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