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FlatOut Classics & Street

Mario e seu Porsche 911 Carrera 996 | FlatOut Classics



O quadro FlatOut Classics se dedica ao antigomobilismo e aos neocolecionáveis (youngtimers) estrangeiros e nacionais, dos anos 20 ao começo dos anos 2000. Carros originais ou preparados ao estilo da época.
São matérias especiais, feitas para serem saboreadas como as das clássicas revistas que amamos.

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Laços de famílias

Você pode gostar dos carros pela sensação de velocidade, pela sensação de liberdade que eles proporcionam. Pode ser também pela adrenalina de atrasar uma frenagem numa entrada de curva para contorná-la no limite, ou simplesmente pela beleza de suas formas e pela afinação de seus motores. Mas um automóvel pode ter um significado mais profundo que isso tudo.

Um automóvel tem a capacidade de despertar nossa personalidade, ele pode revelar nosso estado de espírito e estimular ações e reações que normalmente não teríamos sem ele. Dividir a cabine de um carro com alguém, por exemplo, traz um clima amistoso imediatamente. Qualquer pessoa que já tomou um táxi uma vez na vida acabou conhecendo alguma história pessoal do motorista — ou contou alguma história pessoal durante a viagem. É algo que só os automóveis proporcionam; você não sai conversando com o desconhecido na sala de espera do dentista, mas é capaz de contar sua vida inteira durante uma viagem de carro.

Mas há uma relação ainda mais elevada que você pode ter dentro de um carro: uma viagem de pai e filho. De um homem e sua versão mais jovem; de um filho e seu espelho existencial. A conversa geralmente começa amena, sobre o dia, sobre o dia-a-dia, mas à medida em que o odômetro roda, o papo pode evoluir para reflexões e confissões que jamais seriam reveladas na sala de jantar ou no quintal, lavando o carro.

Pode ser um velho Fiat nos anos 1990, pode ser um Porsche 996 como o de Mario Neto e seu pai, Mario Junior.

O carro, aliás, não poderia ser mais adequado: o 911, como você sabe, foi desenvolvido em 1961 por Butzi Porsche, filho do então presidente da fabricante, Ferry Porsche. É como se ele fosse predestinado a servir de tela para histórias como esta.

 

A paixão por Porsche

A verdadeira história deste 996 começa nos anos 2000 com um entusiasta da marca conhecido como Neneco, grande amigo da família. Era um grande entusiasta de qualquer máquina, mas tinha predileção especial pelos filhos de Stuttgart e transmitiu esta paixão ao amigo Mario Junior, que acabou arrematando um 911 Targa 1976.

O tempo passou com os quilômetros. Em 2017 Neneco deixou este plano e seu belo Porsche 996 Carrera Vesuviometalic 1998. Como uma homenagem ao finado amigo que lhe ensinara a amar os Porsche, Mario Junior arrematou o carro e deu a ele o destino merecido.

O carro não poderia ter outro destino: foi a bordo dele que o filho de Mario Junior, Mario Neto, conheceu o desempenho de um Porsche — na pista do Autódromo Internacional de Curitiba, para injetar no garoto o vírus dos flat-6.

O 996 passou por uma restauração completa depois de acumular quase 20 anos de pista e estrada. Mario Junior deu a ele os devidos cuidados nos painéis da carroceria, na rara pintura roxo “Vesuvio”, no sistema elétrico e, claro, no flat-6 aspirado de 3,4 litros e 300 cv — que, aliás, é combinado ao câmbio manual de seis marchas.

 

Patinho quem?

O Porsche 996 nasceu em uma época conturbada para a fabricante. O risco de falência era real e a legislação ambiental de praticamente todo o planeta forçou a Porsche a abandonar o velho flat-6 arrefecido a ar. Era uma daquelas situações em que a decisão certa revolucionaria positivamente o futuro, e a decisão errada enterraria uma história de mais de 60 anos.

A solução foi desenvolver um roadster de entrada que dividiria o custo de desenvolvimento com a geração seguinte do 911, o 996. Deu certo. O Boxster foi um sucesso de público e de crítica e o 996, apesar das condições, também conseguiu trazer o 911 para o presente.

“Apesar das condições”, porque ele foi muito criticado por abandonar o estilo clássico do 911, com seus faróis circulares e capô baixo, para adotar a mesma dianteira do Boxster — para-choques, faróis e capô eram compartilhados para reduzir os custos. O conjunto óptico até ganhou o maldoso apelido “ovo frito” por razões explícitas.

Mas… mesmo o menos querido dos Porsche 911 ainda é um Porsche 911. O motor flat-6 aspirado atrás do câmbio e do eixo traseiro estava lá. Assim como a robustez mecânica e a engenharia que espera que os carros sejam usados ao máximo, afinal, foram feitos para isso. Para melhorar, este exemplar foi finalizado com a belíssima cor Vesuviometalic, uma matiz de roxo que resistiu muito bem à passagem do tempo e mantém este 996 atraente como no dia em que Mario — pai e filho — o viram pela primeira vez.

 

Pais e filhos

Mario Neto conta que seu pai fez questão de usar o carro sempre que pode. “Nos finais de semana eu costumo acordar cedo e sair com o meu pai dar umas voltas. É uma oportunidade muito boa para conversar um pouco”, explica.

O carro também levou a amizade dos Marios a novos horizontes. Ter um Porsche garante acesso a certos eventos e clubes de proprietários, que acabam se tornando novos amigos. Além disso, a versatilidade dos 911 — em especial do 996 — permite que os dois acelerem o esportivo nos track days e eventos de pista no AIC.

Como se não bastasse sua importância nesta relação de pai e filho, o Porsche também tem uma outra missão familiar: o neto de Neneco, o garoto que ia para a escola de 996 Carrera, volta e meia aparece para pegar uma carona com o carro e matar a saudade dos passeios que fazia com seu avô.

Pais, filhos e netos. Como Ferdinand, Ferry e Butzi, como Neneco e seu neto, como Mario Junior e Mario Neto. Só mesmo este 996 para escrever uma história como essa.


 

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