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O Jaguar E-Type de Horacio Pagani e uma pequena reflexão

Horacio Pagani é um dos personagens mais admiráveis da indústria – e eu falo isto como opinião pessoal. Entre os fundadores de fabricantes de supercarros, ele talvez seja meu favorito. Não apenas por ter nascido na América do Sul e conquistado seu espaço entre os icônicos fabricantes europeus, mas pela forma como ele o fez: deixando a Lamborghini por discordar de suas ideias e indo fazer as coisas à sua própria maneira.

Para quem não lembra deste post, Pagani sugeriu que a Lamborghini comprasse uma autoclave para curar componentes de fibra de carbono, mas os italianos de Sant’Agata Bolognese achavam que o material não tinha futuro. O que é irônico, pois hoje em dia a Lamborghini é uma das empresas que mais usufruem da fibra de carbono e exaltam suas qualidades.

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Os supercarros de Horacio Pagani também são impressionantes, evidentemente, juntando a mecânica consagrada da Mercedes-AMG (com seu próprio acerto, claro) com um apelo estético sem equivalentes – tanto que o Zonda, seu primeiro modelo, manteve-se em produção por quase duas décadas sem perder a identidade, e o Huayra tem tudo para seguir o mesmo caminho. Ousadia, atenção aos detalhes e um estilo todo próprio complementam perfeitamente o maquinário.

Mas outra questão interessante em relação a Horácio Pagani é que ele faz parte de uma geração posterior às grandes lendas, como Enzo Ferrari e o próprio Ferruccio Lamborghini. Assim, ele está bem vivo e na ativa – e ele se comunica com os fãs de seus carros de forma mais próxima e direta através das redes sociais.

Em seu último vídeo, postado na semana passada no canal oficial da Pagani Automobili no Youtube, Horacio Pagani quer nos incentivar a ficar em nossas casas. E, para isto, nada melhor que mostrar a garagem de sua casa em Modena, não é?

Mas em vez de dar uma geral por todos os carros (o que seria bem bacana, aliás), ele preferiu focar-se em um clássico especial: seu Jaguar E-Type Series II 1963, com motor seis-em-linha de 3,8 litros – considerado por muitos entusiastas como o motor correto para o E-Type, pois é mais leve e elástico. O clássico roadster britânico divide espaço com um Pagani Huayra BC – uma das 40 unidades do hipercarro conversível com motor V12 de 804 cv, e também com algumas scooters clássicas, miniaturas de carros, revistas, pôsteres e quadros.

A ideia de Pagani, além de lembrar da importância de se ficar em casa durante a pandemia do novo coronavírus (especialmente na Itália, onde a situação está entre as piores do planeta), é mostrar que este isolamento pode ser uma chance de curtirmos nossos veículos de outras formas.

Para Pagani, parece mais fácil. Afinal, em sua garagem ele tem um dos mais influentes esportivos do mundo e um dos conversíveis mais potentes e radicais que existem – este último ainda foi feito por sua própria empresa. Sem falar nos carros que ele guarda no galpão da Pagani Automobili, perto dali, como parte do acervo do Museu Pagani.

O E-Type, segundo Horacio, foi uma das grandes motivações para o sonho de fabricar seus próprios esportivos. Em sua cidade natal, Casilda, nos pampas argentinos, Pagani tinha um vizinho dono de um E-Type igual ao seu, fabricado no mesmo ano. Ele diz que, ainda menino, descobriu os horários nos quais o homem saía de casa com o Jaguar e ficava esperando na calçada – via o motor sendo ligado, o carro sendo manobrado, e depois a arrancada – “como um foguete”, diz.  Pagani seguia o carro de bicicleta até o centro da cidade, onde o homem estacionava o E-Type, e ficava horas namorando o esportivo, prometendo que um dia teria o seu.

Uma das primeiras coisas que ele comprou depois de se mudar para a Itália, entre 1983 e 1984, foi justamente uma miniatura do E-Type 1963, fabricada pela Bburago – gastando quase tudo o que tinha. E, cerca de dez anos depois, Horacio Pagani comprou seu E-Type 1963 de verdade. “Mas eu ainda tenho a miniatura no meu escritório”, diz ele.  “E, quando a seguro em minhas mãos, a sensação que tenho é a mesma de ter o carro de verdade.”

É interessante a forma como Horacio Pagani mantém em, lado a lado em sua garagem pessoal um dos primeiros carros que admirou de verdade e uma das últimas e mais extremas criações da Pagani Automobili. Para lembrar que devemos ligar os motores dos nossos carros periodicamente, ele escolhe o Huayra Roadster BC, que acorda com um urro seguido de deliciosos estalos amplificados pelas quatro saídas de escape de titânio.

Aliás, mais um vídeo do ronco do Huayra BC, desta vez em sua versão fechada, só porque podemos:

Enfim: Horacio Pagani também mostra a miniatura de seu carro de competição favorito – o Porsche 917K com pintura da Gulf. “Tenho mais de 120 miniaturas e carros de autorama”, diz Pagani. E ele conta seu ritual: todas as manhãs, vai até a garagem para tomar um chá em uma xícara estampada com o Porsche 917 e a miniatura na mesa.

A mensagem de Pagani é esta: você talvez não tenha um Huayra BC e um Jag E-Type na garagem – é bem mais provável, na verdade. Mas todos os carros – nossos populares de uso diário, nossos sedãs de família, nossos brinquedos de fim de semana, nossas relíquias, nossos project cars – estão na mesma situação: parados.

Para Pagani, uma boa forma de aproveitar este período de isolamento é ir até onde seu carro está – ou qualquer um de seus veículos – e dar atenção a ele. Mesmo que seja uma boa limpeza, ou aquele pequeno servicinho que você já estava enrolando para fazer. Fazer o motor funcionar, dar umas voltas pelo quarteirão. Ou talvez só olhar para ele, admirando o design ou as modificações que você fez. “Quando se trata de carros, não há bonito ou feio. A beleza está nos olhos de quem vê”, diz Pagani. E ele está certo.

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