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Car Culture FlatOut Revival

Porsche 911 GT2 Evo: o mais radical dos 911 aircooled – e a inspiração da RWB


Outro dia, falando no podcast sobre o Porsche 911, o Leo, o Juliano e o MAO discorreram sobre o comportamento dinâmico do 911 clássico e o compararam ao comportamento do Porsche 911 moderno. A Porsche se orgulha de manter o 911 fiel às suas raízes, com o motor atrás do câmbio, pendurado na traseira, mantendo a mesma silhueta desde 1964.

Acontece que, embora o design pareça o mesmo, a Porsche neutralizou muito o comportamento do 911. Enquanto o clássico é um carro que exige que o motorista reaja o tempo inteiro ao seu comportamento arredio, o novo foi modificado amplamente desde os anos 1960, de forma que ele demonstra apenas resquícios desejáveis daquele comportamento belicoso de outrora. Suas bitolas ficaram enormes, assim como suas rodas e pneus, seu entre-eixos foi alongado e o motor foi aproximado do eixo traseiro, e agora ele têm rodas traseiras que puxam o carro para dentro da curva pelo esterçamento. Um carro estupidamente rápido e divertido, mas um animal bem diferente do seu avô. Bem… pense no modo que seu avô resolvia as coisas da vida e compare-o ao seu e acho que teremos uma ótima analogia.

Talvez por isso os Porsche com visual clássico e desempenho de supercarro tenham feito tanto sucesso ultimamente. Singer e RWB são dois excelentes exemplos, além, claro, do pessoal da Ruf. Agora… essa receita de supercarro aplicada ao Porsche clássico não foi algo adquirido de modo empírico, por preparadores que testaram, erraram, testaram e acertaram e aprenderam.

Não. A receita foi dada pela própria Porsche há exatos 27 anos. E ela tem nome e sobrenome: Porsche 911 GT2 Evolution.

Sendo um Porsche de 27 anos, ele é, evidentemente, baseado no 993. E o tempero especial de sua receita está em sua origem: ele foi um criado para homologar o 911 para a categoria GT1 da FIA — a mesma do 911 GT1 que venceu as 24 Horas de Le Mans três anos depois.

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O 911 993 foi lançado em 1993 e, no ano seguinte, já ganhou uma variação extremamente visceral para a categoria GT2 de turismo. O chamado 911 GT2 tinha um flat-six biturbo de 3,6 litros com 450 cv e 59,6 mkgf de torque; capacidade para chegar aos 100 km/h em 3,9 segundos e máxima de 301 km/h. Foram feitos 57 exemplares de rua.

No ano seguinte, com o excelente desempenho do 911 GT2 nas pistas, a Porsche decidiu criar uma variante ainda mais insana: o 911 GT2 Evo. Para justificar o sobrenome, ele tinha varias modificações de carro de corrida — começando pelo interior completamente aliviado, trazendo apenas um banco (com cinto de competição, claro), rollcage homologada pela FIA e até um sistema de supressão de incêndio. Francamente, é um interior de carro de corrida!

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Como o 911 GT2, ele tinha tração traseira, câmbio manual de seis marchas e obviamente não havia sistemas eletrônicos para te ajudar a domar os 600 cv que a Porsche conseguiu extrair do motor 3.6 turbo, que vinham acompanhados de 67,7 mkgf de torque. Os pneus eram mais largos para compensar a força extra, mas só conseguimos imaginar que a Porsche fez apenas 11 deles para garantir que pouca gente morresse em uma bola de fogo gigantesca vista do espaço, como diria Marco Antônio Oliveira.

Além do stance agressivo típico dos carros de corrida (evidenciado pelo tow hook na frente, pelos pneus slick e pelas janelas de acrílico), ele tinha alargadores nos para-lamas, com rebites expostos; para-choque dianteiro com entradas maiores e splitter e uma enorme asa traseira de dois andares com dutos para arrefecimento do motor — extravagância que consequência da necessidade de gerar downforce e tentar manter um carro de 1.295 kg com motor na traseira e 600 cv nas rodas traseiras o mais distante possível dos muros ao redor da pista.

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É exatamente isso o que faz do GT2 Evo 993 o mais extremo de todos os 911 com motor arrefecido a ar — cara, são 600 cv em um carro de corrida que pode rodar nas ruas, tudo feito pela fábrica! É o tipo de coisa que motiva os puristas e inspira àqueles que acreditam que não há nada tão bom que não possa ser melhorado.

Estamos falando estas coisas porque o fato de o GT2 Evo ser o Porsche purista definitivo nos lembra uma discussão a respeito do tema — e ela envolve Akira Naka.

É evidente que os carros de Akira Nakai são completamente inspirados pelo 911 GT2 Evo. Basta olhar para os para-lamas alargados e para a asa traseira, além da predileção de Nakai-San pela geração 993. Os para-choques dianteiros usados pelos carros da RWB (como o Number One, apresentado em 2011), é muito parecido com o do GT2 Evo.

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Naturalmente, Akira Nakai se dá a certas liberdades quanto ao estilo — os carros têm cambagem mais negativa, suspensão ajustável e alguns deles são feitos para impressionar pelo visual.

É por isso que os mesmos puristas que idolatram o 911 não curtem muito a RWB. Em 2011, o jornalista americano Jack Baruth, na época era um dos editores do site The Truth About Cars, escreveu um artigo dizendo que a RWB estava acabando com os Porsche clássicos e os transformando em aberrações, os chamando de “caricaturas sobre rodas”. Será que ele esqueceu do 911 GT2 Evo? Ou será que ele acha o GT2 Evo uma aberração?

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Sem falar no fato de que boa parte dos carros feitos por Akira Nakai vão para a pista todo fim de semana para os Idlers Games, e que uma de suas receitas favoritas envolve justamente um flat-six refrigerado a ar com dois turbos e cerca de 600 cv. O fato é que, fora algumas liberdades estéticas que, de fato, podem não agradar a todos, Akira Nakai resolveu o problema de só existirem 11 exemplares do 911 GT2 Evo. Como isso pode ser ruim?

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