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Project Cars Project Cars #294

Project Cars #294: a transformação do meu Ford Escort Mk4 em um carro de pista

Fala, galera! Meu nome é Luiz Claudio Leão, tenho 21 anos, sou estudante de engenharia mecânica, nasci nos EUA, fui criado em Maceió/AL, e agora moro em Recife/PE. Estou de volta no Project Cars com meu “novo” carro, um Escort MK4,  que estou construindo na garagem de casa com intuitos soviéticos. Para quem não lembra, eu participei com o PC #31, um Ford Fiesta 1.6 que era meu daily raciado com pista. Gostaria de agradecer a todo mundo que me ajudou a trazer o Escortson.  É muito bom  poder dividir com todos a minha experiência de construir um carro de corrida totalmente do zero.

Meu histórico com automobilismo é de sangue. Venho de uma família louca por carros e preparação. Meu pai correu dos 17 aos 58 anos, passou a vida preparando carros com meu avô, seu irmão e seu tio, e fez o favor divino de me passar essa paixão. Alguns projetos legais da família que vale ressaltar aqui são: Rover 2.4 com um supercharger, Dauphine 800cc supercharger, Lancia Aurélia, Maverick  302 com Quadrijet 750cfm, comando Edelbrock 300 graus, escape, Escort XR3 turbo, uma lancha de alumínio de 21 pés com motor Dodge 318 que já foi biturbo e explodiu, já foi supercharger  e explodiu, e finalmente  teve a configuração aspro ( quadrijet, comando, e taxa).

EX PROJECT CAR 1

Além disso,  um Escort XR3 mk4 com swap 2.0 com a preparação de marcas da época, um  Civic Si stage 4, Jeep 2.3 turbinado, o Protótipo Spyder com motor Subaru 2.5, caminhonete  A10 com swap 4800cc, alguns fuscas, entre outros.

 

O sonho

Como viram acima, tivemos alguns Escorts na família: três de rua e um de marcas. Para mim, os dois mais importantes foram o Escort MK4 XR3 preto de rua e o Escort MK4 que corria na categoria marcas e pilotos. O de rua dividia a mesma preparação com o de corrida, porém com um swap para o bloco 2.0 (AP), Taxa, comando, trabalho de cabeçote, coletor de escape, trabalho de carburador, ponto, etc.

O de corrida é quase uma lenda para quem frequentou as corridas de marcas aqui no nordeste.  O pretão (mesma cor do de rua) foi ‘’dado’’ ao meu pai como forma de patrocínio – em troca ele deveria correr três anos com o carro  adesivado pela concessionaria patrocinadora. O carro chegou um lixo, e por 2 anos meu pai e a sua equipe (LPL RACING) trabalharam  nesse carro para que chegasse  ao topo do campeonato. E chegou! Ganhou alguns campeonatos e corridas longas, fora as vezes que o carro foi alugado para amigos  que também ganharam corridas com ele.

Enquanto estava com meu velho, o carro chegou a rodar 1.45s no autódromo de Caruaru. Depois ele foi vendido para um grande companheiro de corridas do meu pai, que continuou a aprimorar o carro e chegou a rodar 1.43s. O melhor tempo do marcas e pilotos atual fica na casa dos 1.48s. Meu Fiesta rodou 1.56, e o recorde tração dianteira do autódromo é de um Fusca (atual) turbo, extremamente bem preparado que rodou 1.40s.

Tem como não se apaixonar? A vontade de ter o meu Escort sempre existiu, e finalmente chegou a hora! O Fiesta estava ficando impraticável para o meu ritmo de viagem:  500 km por final de semana com escape aberto e cinto de cinco pontos não é fácil. Sim, é possível ter um carro de trackday e usar como daily, mas para tudo tem limites e o carro chega a um nível de preparação que,  ou você fica preso  àquela “faixa de capacidade” do carro ou você parte para modificações que dificultam muito sua ida à padaria. Eu resolvi ser racional e partir para um carro 100% de pista e amansar o Fiesta.

 

A compra

CHEGADA EM CASA

Decidido a achar um Escort, a procura começou. Nunca vi tanto carro velho, sucata, ferrugem, na minha vida e, o melhor, eu estava gostando. Procurei nos lugares mais inóspitos de Maceió e esqueci-me do óbvio: OLX. Abri o APP e lá estava ele – azulzinho, bonitinho, simpático. “ESSE”!!!! fui  à  loja olhar o carro e foi, de longe,  o Escort mais “novo” que achei. Me animei e comprei. Detalhe, eu queria um Escort XR3 MK4, preto, coupe.  Terminei com um Escort 1989 L 1.6 CHT azul. Só achei um carro da maneira que eu queria, mas o cara só  entregava por 15k. Não ia rolar. E estou muito feliz com o azul.

 

A chegada

PRIMEIROS UPS (1)

 

O carro mal chegou em casa e já recebeu alguns upgrades: volante Momo Prototipo, manopla do câmbio, pedaleiras que foram feitas por meu pai e são uma tradição nos carros aqui de casa, rodas BBS 14×6.5 et 30 com pneus Michelin XM2 185/60, e a primeira revisão. Como eu queria curtir um pouco o carro antes de começar a desmontar tudo, fiz uma revisão completa de motor e suspensão: troca de óleo, filtro de óleo, filtro de ar, tampa do distribuidor, sapatas de freio, rolamentos de roda, terminais de direção, coifas do semi eixo, e uma limpeza. Sim, uma limpeza!

O carro por baixo estava podre, muita lama dura, e quando eu tirei os forros do interior do carro  veio a surpresa:  mais lama! A quantidade de lama que estava presa no carro era tanta que não teve jeito, tive que desmontar tudo por dentro, entrei com a pistola d’água  e dei um banho no Escortson.

Depois de finalmente limpinho (acho que não foi lavado por uns bons 10 anos) só faltava um detalhe para dar umas voltinhas com o carro:  rebaixar a suspensão. Como era uma coisa provisória e somente por estética, as molas foram para a faca. Cortei dois elos na frente e atrás e o carro ficou exatamente na altura que acho prefeita para um carro de rua. E lá se foi o Escortson para o seu primeiro encontro!

 

O abate

O ABATE (1)

Finalmente chegou a hora de começar os trabalhos sérios, mandar o Escort L 1.6 para o abate e cuidar do nascimento do Escortson. Toda a preparação desse carro vai acontecer na garagem da casa do meu avô, onde inúmeros projetos e outros monstrinhos também foram criados.

Boa parte das ferramentas e métodos que estou usando são os mesmos que meu pai usou para construir os carros de corrida dele, até a vaga da garagem é a mesma. A partir de agora, vocês vão ver muita lixadeira, ideias tiradas do nada, inúmeros erros, pesquisas, muita paixão e diversão no caminhar desse projeto.

 

O objetivo

Eu quero um carro 100% pista, que dentro das limitações do meu bolso, seja o melhor possível. Ao caminhar do PC eu explico o porque de algumas decisões –  a grande maioria delas na verdade quem decidiu foi o dindin. O motor será um AP bloco alto 2.1, cabeçote fluxo cruzado, comandão, injetado, 14:1 de taxa; o desejo é 250hp, quero muito ficar perto disso.

A suspensão será feita com uniballs, coilovers, camber plates, e mais alguns detalhes. O cockpit será todo recuado, o carro será extremamente aliviado, quero chegar perto dos 750kg (o Escort de marcas do veio tinha esse peso), e o principal: chegar na marca dos 1.43s em Caruaru Speedway. O mesmo tempo que o pretão de marcas que foi do velho fez.

“Let the games begin”.

Por Luiz Leão, Project Cars #294

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