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Schulz 190E 2.6 City: a história do primeiro hatchback Mercedes… que não foi feito pela Mercedes


Quando a Mercedes-Benz apresentou a primeira geração do Classe A em 1997, ele era exatamente o oposto do que a marca sempre ofereceu: em vez de um motor longitudinal ligado às rodas traseiras, ele tinha um motor transversal ligado às rodas dianteiras. E em vez de um sedã ou perua com espaço interno e conforto de sobra, ele era um hatch compacto com espaço interno racionalizado e suspensão mais firme do que deveria. No Brasil ele não deu muito certo, mas na Europa ele foi um sucesso de vendas que deu origem à Classe B e, indiretamente, ao GLA e ao CLA.

Todos eles conservam as mesmas características do modelo original: motor transversal e tração dianteira (ou nas quatro rodas sob demanda). Agora… embora tenha sido o primeiro hatchback da Mercedes, o Classe A W168 não foi o primeiro Mercedes hatchback.

A ideia de construir um compacto urbano de dois volumes era algo que orbitava o departamento de design da Mercedes desde o início dos anos 1980. Foi quando eles desenvolveram o 190 E Stadtwagen.

Batizado com o termo alemão para “carro urbano”, ele era um hatch compacto com o mesmo porte do Peugeot 104 e do Ford Fiesta da época, feito sobre a plataforma encurtada do protótipo do W201, que seria lançado em 1982 e se tornaria o precursor da Classe C. A tampa do porta-malas veio da perua W123 e foi adaptada para  a traseira hatchback.

O motor era o mesmo 2.0 de 122 cv que seria adotado no W201, instalado em posição longitudinal e ligado às rodas traseiras. O carro era tão pequeno e tinha balanço traseiro tão curto que o diferencial e a suspensão independente ficavam expostos por baixo do para-choques. Não é preciso dizer que a ideia não foi adiante, mas talvez seja por isso que o Classe A saiu com o motor transversal e com a tração na dianteira.

O projeto foi engavetado, mas a ideia continuou viva na cabeça do engenheiro alemão Eberhard Schulz. Ele era um construtor independente que acabou contratado pela Porsche e, mais tarde, pela Mercedes, onde trabalhou no projeto C111. Ao saber que o protótipo jamais seria produzido pela marca, ele pediu autorização aos chefes para produzir o modelo por conta própria e negociou o fornecimento de componentes com a Mercedes. O resultado foi o CW111, que acabou dando origem à Isdera, fabricante do Imperator e do Commendatore, dois supercarros com portas asa-de-gaivota e motor Mercedes sobre os quais falamos neste post.

Paralelamente à Isdera, Schulz mantinha uma preparadora especializada na modificação de modelos Mercedes. Sua especialidade era a conversão dos modelos convencionais da Mercedes em versões Pullman de seis portas, conversíveis ou peruas, ou ainda a preparação de motores e instalação de kits estéticos, além de Land Rovers de seis rodas e até uma perua BMW Série 5 (E28) antes mesmo da BMW fazer uma oficial.

Em 1990, contudo, ele tomou uma decisão mais ainda ousada e criou dois modelos inéditos baseados no W201: uma versão duas-portas do sedã, inspirado no Classe E Coupé (C124), e um hatchback feito a partir do encurtamento do monobloco do W201… exatamente como o 190 E Stadtwagen de 1981.

 

O modelo usado como base era o 190E 2.6, com o novo motor seis-cilindros de duas válvulas por cilindro (M103), com 166 cv. O processo de construção consistia, além do encurtamento do monobloco, na construção de uma nova lateral traseira, na adaptação de uma janela traseira fixa com base no quadro da porta traseira original, e na instalação de uma tampa adaptada da perua da Classe E (S124), que também fornecia as lanternas. As rodas eram BBS RG/RZ de 16 polegadas. 

O novo hatchback foi batizado 190E 2.6 City e mirava o Golf GTI de segunda geração — então com potência entre 110 e 160 cv. Contudo, seu preço elevado e o design não muito bem-resolvido não atraiu muitos clientes e, por isso, pouquíssimos exemplares foram feitos entre 1990 e 1991. Em 1993 a Mercedes apresentou um novo conceito de carro urbano, desta vez um hatchback projetado do zero, com motor transversal dianteiro e tração dianteira que daria origem ao Classe A de 1997.

Mas o conceito de “Classe C cortado” materializado no 190E 2.6 City não foi abandonado pela Mercedes: em 2000, junto da terceira geração da Classe C (W203), a marca lançou o C SportCoupé, que compartilhava o design com o sedã até a coluna B, adotando uma traseira truncada, com um estilo cupê-hatchback.

 

Em 2008, após a chegada da quarta geração (W204), o SportCoupe passou por um facelift e se tornou o CLC. Ele foi oferecido até 2011, quando saiu de linha para dar lugar ao Classe C Coupé.

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