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Motos

Supermoto: da terra para o asfalto (e de volta para a terra)


Dia desses, um dos nossos leitores comentou uma verdadeira pérola. Falando sobre a origem das scramblers – motos street ou esportivas convertidas para o off-road – ele disse o seguinte: “então uma motard é uma scrambler invertida.”

Aquilo ficou na minha cabeça porque, bem, é mais ou menos isso, mesmo. E também porque me dei conta de que nunca havia abordado o assunto das motard por aqui. E é interessante fazê-lo, até por conta da confusão que os termos motard, supermotard e supermoto costumam causar.

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Motard, para quem não sabe, é uma gíria para “motocicilista” em francês. Arrisco dizer que em uma conotação parecida com “motoqueiro” – não muito popular entre os adeptos do motociclismo, e considerado pejorativo por alguns (eu, sinceramente, não ligo).

Uma das explicações populares para o uso do termo motard para referir-se a motos de trilha com rodas e pneus de asfalto diz que foi na França que, nos anos 1980, essa moda começou. Fala-se que os donos das trail queriam usá-las em estradinhas sinuosas nas montanhas e, como o asfalto não era dos melhores, ter o curso longo e a robustez das trail era mais interessante que comprar uma moto esportiva. Além disso, permitia dar uns saltos de vez em quando.

Na hora de pilotar, os pneus largos, o motor torcudo e o baixo peso do conjunto permitiam que os pilotos deitassem a moto em ângulos absurdos nas curvas, mesmo em velocidade relativamente baixa, com a perna esticada para dar apoio – algo típico das provas de motocross.

Só que esta é só uma parte muito resumida da história, que explica apenas o uso do termo – e ainda assim, não pode ser verificada. Mas existe uma história documentada por trás desse tipo de moto e desse estilo de pilotagem.

É fato que as motard são exatamente isso: máquinas criadas para o off-road ou motocross, porém com rodas, pneus e outras modificações para uso sobre o asfalto.

Em 1979, o nascimento de uma competição para motocicletas exatamente assim foi televisionado. Era o campeonato Superbikers, criado especificamente para passar na TV, como parte do programa Wide World of Sports, do canal ABC. A premissa era bastante simples e, em um mundo sem Internet, era uma oportunidade única: pegar os melhores motociclistas do asfalto e da terra e colocá-los para uma disputa de igual para igual em um circuito de asfalto e terra. Na era pré-Internet, esses eventos esportivos especiais eram aguardadíssimos pelo público e garantia de bons números de audiência – um prato cheio para os nostálgicos de plantão, diga-se.

E não havia modéstia – apenas os melhores entre os melhores pilotos de Grand Prix e motocross participavam – Kenny Roberts, o primeiro americano a vencer nas 500cc; e Jeff Ward, americano nascido na Escócia que correu de moto desde que se entendeu por gente, quase sempre pela Kawasaki. Ward, aliás, é um caso de piloto que migrou com sucesso das duas para as quatro rodas: depois de disputar campeonatos americanos e mundiais de motocross entre 1978 e 1992, ele foi para a Fórmula Indy, chegou em quinto lugar na Indy 500 de 1998, e ainda participou de eventos da Nascar e do Global Rallycross. Hoje, aos 60, ele disputa ocasionalmente a Stadium Super Trucks.

As provas de Superbike, naturalmente, conquistaram o público logo de cara e garantiram excelentes números para a ABC. As provas misturavam trechos de asfalto e terra, os circuitos eram bastante técnicos, com curvas fechadas nas áreas pavimentadas, variações de relevo nas partes de terra, e poucas oportunidades para torcer o cabo e alcançar velocidades elevadas. Essa configuração ajudava a nivelar a performance de cada piloto por sua habilidade e versatilidade, e não pela potência das motos. Além disso, os pilotos estavam sempre amontoados na pista, com disputas apertadíssimas por posições e tombos espetaculares que raramente envolviam só um competidor. Como as motos eram geralmente dirt bikes com pneus mais largos de asfato, uma queda raramente impedia o competidor de levanar a moto e seguir com a corrida. E o público adorava.

O Superbikers foi um sucesso na TV até 1985, e só foi cancelado porque a ABC mudou de direção e o programa não era uma prioridade aos novos manda-chuvas. Mas o estilo de pilotagem continuou popular entre os entusiastas, que foram atraídos pela versatilidade das motos usadas e praticidade das conversões.

Nos Estados Unidos, convencionou-se chamar a usar o termo “supermoto” para definir a modalidade. E diz-se que foram os participantes que vinham da Europa para o Superbikers que introduziram o esporte no Velho Mundo. Por alguma razão, a ideia pegou com mais força na França – daí a popularização dos termos motard e supermotard.

Embora as competições de supermoto tenham acontecido nos Estados Unidos de forma intermitente, quem realmente mantém viva a modalidade são os entusiastas e as competições regionais. Além disso, da mesma forma que existem track days sobre o asfalto para motos esportivas, há eventos do tipo voltados apenas à prática do supermotard.

Como mencionado mais acima, um atrativo do supermotard é a relativa facilidade de montar um projeto – uma moto trail com rodas menores, geralmente de 17 polegadas, e pneus de asfalto já está praticamente pronta. Claro que existem outras modificações, que são parte estéticas, parte funcionais: a instalação de discos de freio maiores na dianteira e garfo dianteiro invertido.

Tais modificações acabam transformando as motos trail em máquinas bem mais versáteis. Claro que, no asfalto, elas não fazem curvas como superesportivas – e a aerodinâmica também não ajuda. Mas dá para ir se divertindo pela pista no caminho até o circuito e voltar para casa rodando sem problemas. Na terra, elas dão conta do chão batido e das pedras graças ao curso da suspensão, mas acabam perdendo capacidade na areia e na lama pela falta dos pneus mistos. Por isso, não é incomum que adeptos do supermoto acabem tendo dois jogos de rodas – um com pneus de asfalto, outro com pneus de terra.

Além do custo acessível, o supermotard também atrai os pilotos mais experientes por conta da novidade – dominar uma nova técnica de pilotagem pode ser uma ótima forma de renovar o interesse e a empolgação com as duas rodas.

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