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Taos contra todos: como fica a briga dos SUVs com o novo Volkswagen?

A Volkswagen apresentou há poucos dias o Taos, sua arma para combater o Jeep Compass, soberano no segmento dos SUVs médios. E ele não vem para brincadeiras: feito sobre a plataforma modular MQB, o VW Taos une uma base que ainda é referência na indústria, design bem resolvido e uma suíte de equipamentos bem generosa desde a versão mais barata – trunfos que foram calculados com extremo cuidado para pegar na veia do Jeep e tentar minar seus 70% de participação no mercado.

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Em nosso primeiro contato, no qual o Juliano Barata deu um belo apanhado sobre as características externas, internas e técnicas do Volkswagen Taos, ficamos com a impressão de que ele tem tudo para dar bastante trabalho ao Jeep Compass. Mas o Compass, apesar de seu gigantesco sucesso, não é o único concorrente: todos querem uma fatia do bolo e cada um tem seus pontos positivos e negativos na briga.

Embora ainda não tenhamos andado no Taos, já temos tudo o que precisamos saber para colocá-lo frente a frente com os principais participantes dessa disputa que promete pegar fogo. Temos o ainda recente Corolla Cross, que já se mostrou mais que capaz de conquistar público, e uma série de nomes que já estão há algum tempo no mercado e também tem seus atrativos.

Neste comparativo, vamos colocar as duas versões do Taos lado a lado com seus concorrentes mais relevantes. Mas antes, vamos relembrar o que o VW tem na manga.

 

O que oferecem e quanto custam as versões do Taos?

Como já vimos na ocasião do lançamento, a estratégia da Volks para a versões do Taos é a mesma do Nivus – apenas duas versões, Comfortline e Highline (sem contar a série especial de lançamento, a Launching Edition, que é baseada na Highline), com o mesmo powertrain e uma diferença de preço considerável entre ambas: o Volkswagen Taos Comfortline, versão de entrada, custa R$ 154.990; e o Taos Highline está quase R$ 30.000 acima, saindo por R$ 181.790.

Vamos recapitular os equipamentos: o Taos Comfortline vem de série com ar-condicionado dual zone com saídas para o banco traseiro, carregador de celular por indução, direção com assistência elétrica, cruise control, sensor de chuva, sensor crepuscular e painel digital com tela de 8 polegadas. E ele também já conta com a central multimídia VW Play de 10,1 polegadas com Apple CarPlay (sem fio) e Android Auto (pelo cabo USB, algo que pode e deve ser resolvido com uma atualização de software), rodas de 18 polegadas, seis airbags, hill-holder, câmera de ré, controles eletrônicos de estabilidade e tração e detector de fadiga.

Além disso, estão presentes retrovisor interno fotocrômico, retrovisores com ajustes elétricos e tilt-down automático, monitoramento de pressão dos pneus, lanternas traseiras de LED, porta-luvas refrigerado, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, chave presencial, start-stop, três portas USB tipo C no interior, tomada 12V no porta-malas e frenagem automática pós-colisão. Na versão Comfortline, o rack de teto é preto.

Como opcionais, o Taos Comfortline tem o Pacote Conforto (R$ 5.420), com bancos de couro sintético e, para o motorista, banco com aquecimento, regulagem elétrica e ajuste lombar. O Pacote Segurança (R$ 4.790) acrescenta cruise control adaptativo e frenagem autônoma de emergência com detecção de pedestres.

Para justificar os quase R$ 27.000 a mais que o Comfortline, o Taos Highline inclui de série todos os equipamentos do mesmo, mais os pacotes Conforto e Segurança. O diferencial fica pelos faróis IQ Light com sistema automático de ajuste e anti-ofuscamento, iluminação ambiente com seletor de cores pela central multimídia, painel com tela de 10,25 polegadas, alerta de ponto cego, alerta de tráfego cruzado, sistema de som com oito alto-falantes, seletor de modos de condução e retrovisores com aquecimento. O rack de teto do Taos Highline é pintado na cor prata, e as rodas de 18 polegadas têm desenho exclusivo. Seu único opcional é o teto solar panorâmico, que custa R$ 5.520.

 

Como o Taos se compara com os rivais?

Antes de começar, vamos traçar os principais atributos do Volkswagen Taos. De cara, ele conta com a plataforma MQB A1, usada por outros SUVs de mesmo porte dentro do grupo VW (incluindo modelos da Seat e da Škoda), além do atual VW Jetta e do crossover T-Roc. A plataforma comporta eixo traseiro do tipo multilink, uma sofisticação que não está presente em todos os rivais, e também recursos semiautônomos que são vistos na versão Highline.

Em dimensões, temos 4,46 metros de comprimento, 1,84 m de largura, 1,63 m de altura e entre-eixos de 2,68 m. O porta-malas comporta 498 litros de bagagem, e o carro pesa 1.420 kg.

Ambas as versões do Volkswagen Taos têm o mesmo conjunto mecânico: o motor 1.4 TSI da Volkswagen, com 150 cv e 25,5 kgfm de torque, sempre ligado ao câmbio automático Aisin de seis marchas. É o bastante para ir de zero a 100 km/h em 9,3 segundos, com máxima de 194 km/h.

Com isso, já podemos alinhar os concorrentes. Começando, claro, pelo líder do segmento.

 

Jeep Compass

Dimensões: 4,41 m de comprimento / 1,82 m de largura / 1,63 m de altura / 2,64 m de entre-eixos / 1.585 kg / porta-malas de 410 litros
Motor e câmbio: 1.3 turbo três cilindros, 185 cv e 27,5 kgfm, câmbio automático de seis marchas, tração dianteira

O Jeep Compass é o SUV médio mais vendido do Brasil por uma razão: com ele, a Stellantis soube muito bem aproveitar o valor e o peso da marca, mas também oferece uma boa variedade de versões, motorizações e equipamentos de série – agradando a todo mundo um pouco. No fim de cada mês, a variedade de opções se traduz em números. E agora, com o motor 1.3 turbo GSE nas versões a gasolina – que são as que estão na mira da Volkswagen com o Taos – e o interior totalmente reformulado, o Compass entra na briga com fôlego renovado.

Claro, o Jeep Compass também tem seus pontos fracos. A plataforma Small Wide, apesar de fazer seu trabalho de forma competente, tem como base uma plataforma antiga, anterior à popularização das arquiteturas modulares, e isso cobra seu preço na balança: com 1.585 kg, o Compass é quase 170 kg mais pesado que o Taos – o que acaba mitigando um pouco a vantagem do Jeep sobre o Taos em termos de desempenho.

Para peitar o VW Taos Comfortline (R$ 154.990), escalamos o Jeep Compass Longitude (R$ 154.990). Os dois custam exatamente o mesmo e, em equipamentos, ambos se equivalem. Há vantagens pontuais para o Taos: a tela do quadro de instrumentos tem 8” no VW contra 7” no Jeep Compass, e apenas o VW tem carregador por indução. Só o Compass, porém, oferece o teto solar elétrico panorâmico, o chamado Command View, como opcional (R$ 8.990). Se quiser dirigir a céu aberto no Taos, você precisa do Highline, e marcar a caixinha do teto solar.

Mas o Taos Highline custa R$ 181.590, o que o deixa mais próximo do Jeep Compass Limited T270, que custa R$ R$ 176.990. O Compass Limited tem o mesmo powertrain e oferece todos os itens do Longitude, mais painel digital de 10,25 polegadas (mesmas medidas do painel do Taos em ambas as versões), e ainda leva vantagem na presença de um airbag a mais, para os joelhos do motorista – que o Taos não tem em nenhuma versão. Ainda que isso não importe muito: o Taos certamente não precisará dele para atingir uma performance exemplar em crash-test, norma interna da marca VW.

O Compass Limited também tem teto solar elétrico panorâmico como opcional (R$ 8.990), bem como o chamado Pack High Tech (R$ 9.990), que acrescenta frenagem autônoma de emergência, reconhecimento de placas, detector de fadiga, piloto automático adaptativo, faróis com antiofuscamento automático, monitoramento de mudanças de faixa, porta-malas com sensor de presença, Adventure Intelligence Plus (sistema equivalente ao VW Play da Volkswagen), som Beats, banco do passageiro com ajuste elétrico e tomada auxiliar de 127V.

 

Toyota Corolla Cross

Dimensões: 4,46 m de comprimento / 1,82 m de largura / 1,62 m de altura / 2,64 m de entre-eixos / 1.420 kg / porta-malas de 440 litros
Motor e câmbio: 2.0 16v, 177 cv e 21,4 kgfm, câmbio CVT com dez marchas simuladas, tração dianteira

O Corolla Cross é o próximo rival natural. Ele também aposta no peso da marca – e nos clientes fiéis que só trocam seu Corolla por outro Corolla, mas agora com o sobrenome Cross.

Quem está na dúvida entre o Taos Comfortline e o Corolla Cross deve considerar a versão XRE, intermediária: ela custa R$ 153.690 (R$ 3.700 a mais que no lançamento em março), ele tem quase tudo o que o VW oferece, mas fica devendo faróis de LED (as luzes principais são halógenas), carregador por indução e painel totalmente digital – há apenas uma tela colorida de 4,2 polegadas junto dos mostradores analógicos. Mas há outro detalhe que pesa: a suspensão traseira, que perde o eixo multilink presente no Corolla sedã, e também utilizado pelo Compass e pelo Taos. É algo que não faz tanta diferença na rotina diária que esses SUVs costumam levar, mas é um sistema mais simples e mais barato.

Já versão que se compara melhor ao Taos Highline é a XRV, a mais barata com conjunto híbrido, custando R$ 177.290. Além do powertrain mais econômico, ele está à altura do VW em equipamentos, incluindo alerta de ponto cego, farol alto automático, alerta de colisão com frenagem automática, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, alerta de tráfego cruzado e aviso de saída de faixa, que o Taos Highline também oferece.

E, diferentemente das versões com motor 2.0, o Corolla Cross híbrido tem painel 100% digital.

 

Hyundai Tucson

Dimensões: 4,47 m de comprimento / 1,85 m de largura / 1,66 m de altura / 2,67 m de entre-eixos / 1.624 kg / porta-malas de 513 litros
Motor e câmbio: 1.6 turbo, 177 cv e 27,8 kgfm de torque, câmbio de dupla embreagem e sete marchas, tração integral sob demanda

Lançado em 2006, o Hyundai Tucson (ou melhor, All New Tucson) ainda pode ser um rival interessante. Com mais idade e uma nova geração, apresentada recentemente lá fora, prevista para desembarcar em não muito tempo, os preços estão atraentes.

Na versão de acesso, a GLS, que custa R$ 152.130, o Tucson oferece boa parte dos itens do Taos Comfortline, mas fica devendo requintes que o brasileiro já aprendeu a esperar de um SUV nessa faixa de preço, como painel digital (há apenas uma tela monocromática de 3,5” entre os mostradores) e uma central multimídia com tela grande – a do Tucson tem só 7”. Em compensação, o teto solar panorâmico é item de série e o Tucson é o único com porta-malas maior que o do Taos.

A versão Limited, por sua vez, custa R$ 172.190 e traz todos os itens da versão GLS, mais abertura do porta-malas por sensor de presença, detector de pontos cegos, farol LED com facho alto direcional, painel de instrumentos e quadro de instrumentos digital com tela colorida de 4,2 polegadas. É um rival interessante para o Taos Highline ao custar quase R$ 10.000 a menos.

 

Ford Territory

Dimensões: 4,58 m de comprimento / 1,93 m de largura / 1,67 m de altura / 2,71 m de entre-eixos / 1.632 kg/ porta-malas de 348 litros
Motor e câmbio: 1.5 turbo, 150 cv e 22,9 kgfm, câmbio CVT com oito marchas simuladas, tração dianteira

Ninguém sabia na época mas, quando o Ford Territory foi lançado no Brasil, em agosto de 2020, ele marcava o início da nova fase da Ford no Brasil como importadora de veículos mais caros e sofisticados. O Territory é fabricado na China e usa uma base chinesa – o Landwind X7, que por sua vez é “inspirado” no Toyota RAV4 de quarta geração, produzido entre 2013 e 2018. Em porte ele leva vantagem sobre o Taos, com entre-eixos maior, mas o porta-malas é menor.

O Territory não tem opções na mesma faixa de preço que o Taos Comfortline. A versão SEL, porém, concorre como Taos Highline e custa R$ 179.900. Sua lista de equipamentos equivale à do Taos Highline em grande parte, com vantagem pelo teto solar panorâmico de série. Lhe faltam assistências semi-autônomas, contudo, só disponíveis na versão Titanium, que já chega aos R$ 198.000.

 

 

Chevrolet Equinox

Dimensões: 4,65 m de comprimento / 1,84 m de largura / 1,69 m de altura / 2,72 m de entre-eixos / 1.673 kg / porta-malas de 468 litros
Motor e câmbio: 1.5 turbo, 172 cv e 27,8 kgfm de torque, câmbio automático de seis marchas, tração dianteira

O lado gravateiro da Força é representado, e muito bem por sinal, pelo Chevrolet Equinox, que parte de R$ 189.900 – o que o deixaria mais à vontade contra o Taos Highline com teto solar (que vai a R$ 187.110).

 

Sem opcionais, ele também fica parelho ao Volkswagen em equipamentos, com direito a toda a suíte de assistências semiautônomas e o acréscimo de itens de comodidade comumente vistos em veículos mais caros, como o sensor de presença para abertura do porta-malas, teto solar panorâmico de série, sistema de som Bose. Mas a tela da central multimídia MyLink é menor (8 polegadas) e o painel é analógico com tela colorida para o computador de bordo.

 

Chery Tiggo 8

Dimensões: 4,70 m de comprimento / 1,86 m de largura / 1,70 m de altura / 2,71 m de entre-eixos / 1.600 kg / porta-malas de 500 litros
Motor e câmbio: 1.6 turbo, 187 cv e 28 kgfm / câmbio de dupla embreagem e sete marchas / tração dianteira

O Chery Tiggo 8 tem um diferencial importantíssimo – ele é o único que oferece sete lugares. Equipado com motor 1.6 turbo de 187 cv e 28 kgfm de torque, ele é o único que supera o Compass em números (por pouco, é verdade), tem câmbio de dupla embreagem banhada a óleo de sete marchas que leva a força para as rodas dianteiras.

 

Vendido em versão única, a TXS, os equipamentos de série do Tiggo 8 incluem teto solar panorâmico, painel digital com tela de 12,3 polegadas, central multimídia de 10,25 polegadas, acendimento automático dos faróis, monitoramento de ponto cego, monitor de pressão e temperatura dos pneus e câmera de 360°.

 

Conclusão

Tenha em mente que este comparativo não visa cravar uma opção perfeita ao Taos. A ideia é ajudar não só a quem está pensando em comprar o novo SUV da Volkswagen, mas a qualquer um que esteja em busca de um veículo com a mesma proposta. Embora o Taos ofereça um interessante equilíbrio entre equipamentos, espaço interno e plataforma moderna, os concorrentes têm outros atrativos – sejam eles o motor mais potente e o prestígio de marca do Jeep Compass,  o conjunto híbrido do Toyota Corolla Cross, o combo de tração integral + câmbio DCT do Hyundai Tucson ou mesmo os sete lugares do Chery Tiggo 8. Opção, nesta faixa e tipo de carro, realmente não está em falta!