FlatOut!
Image default
Car Culture Projetos Gringos

Um Porsche 356 e outras loucuras com motor radial de três cilindros


A maioria esmagadora dos carros a combustão têm motores com cilindros em linha ou em V. Os motores flat e boxer, com cilindros “deitados”, são mais raros, mas ainda estão por aí nos Porsche e Subaru modernos. Cada configuração tem suas vantagens e desvantagens em packaging, distribuição de massas e rendimento, e cabe a cada fabricante definir as razões para adotar um ou outro tipo de motor – sejam elas técnicas, econômicas ou mesmo filosóficas.

O que você não costuma ver por aí são carros com motores radiais. Então, quando a gente topa com um – como o Porsche 356 aí em cima –, não há como não ficar no mínimo intrigado. É ou não é?

Ainda não é assinante do FlatOut? Considere fazê-lo: além de nos ajudar a manter o site e o nosso canal funcionando, você terá acesso a uma série de matérias exclusivas para assinantes – como conteúdos técnicoshistórias de carros e pilotosavaliações e muito mais!

 

FLATOUTER

Plano de assinatura com todos os benefícios: acesso livre a todas as edições da revista digital do FlatOut e demais matérias do site, participação no nosso grupo secreto no Facebook (fique próximo de nossa equipe!). Exponha ou anuncie até sete carros no GT40 e ainda ganhe descontos em oficinas e lojas parceiras*!

R$20,00 / mês

*Benefícios sujeitos ao único e exclusivo critério do FlatOut, bem como a eventual disponibilidade do parceiro. Todo e qualquer benefício poderá ser alterado ou extinto, sem que seja necessário qualquer aviso prévio.

CLÁSSICO

Plano de assinatura básico. Acesse todas as edições da revista digital do FlatOut e demais matérias do site1, além de poder expor ou anunciar até três carros no GT402.

De R$14,90

por R$9,90 / mês

1Não há convite para participar do grupo secreto do FlatOut nem há descontos em oficinas ou lojas parceiras.
2A quantidade de carros veiculados poderá ser alterada a qualquer momento pelo FlatOut, ao seu único e exclusivo critério.

Esse carro é um Porsche 356 outlaw, escola de modificação popularizada pela americana Emory Motorsports. Aliás, é bem possível que o próprio Rod Emory, fundador da empresa, tenha sido o criador do termo – que, colocando de forma simples, descreve um hot rod feito com base em um Porsche: alívio de peso, motor mais forte e mudanças no chassi para acompanhar (suspensão preparada, freios maiores, esse tipo de coisa). Um Porsche outlaw também costuma ter elementos que não condizem com o que geralmente se espera de um Porsche clássico – e podem gerar controvérsia e até revoltar os mais puristas. Daí a ideia de “fora da lei”.

E você quer algo mais controverso que um Porsche 356 que troca o boxer por um motor radial?

Antes de tentar responder, vamos falar um pouco sobre os motores radiais em si. Os primeiros motores radiais comerciais foram produzidos antes de 1910, e foram bastante utilizados por fabricantes de aviões na primeira metade do século 20. Há uma razão técnica para isso: por sua própria natureza, eles eram perfeitos para a instalação no “nariz” dos aviões, com a hélice instalada diretamente no virabrequim.

Um motor radial possui os cilindros dispostos radialmente em relação ao bloco – como os raios de uma roda, daí seu nome. Geralmente possuem número ímpar de cilindros (motores três, cinco, sete ou nove cilindros são os mais comuns) e, por causa do seu formato, também são chamados de “motor-estrela” em alguns idiomas – Sternmotor em alemão, motore stellare em italiano ou moteur en étoile em francês.

Um dos cilindros tem a chamada “biela mestra”, que é a única ligada diretamente ao virabrequim. Os demais utilizam bielas articuladas que dependem do movimento da biela mestra para serem atuados.

Na aviação, os motores radiais têm algumas vantagens. Uma delas é o tamanho: apesar do grande diâmetro, são motores bem curtos – a maior parte deles têm apenas uma fileira de cilindros. Outra vantagem é a modularidade: para aumentar o deslocamento do motor radial, basta adicionar uma segunda fileira idêntica à primeira para obter o dobro do deslocamento (e, em tese, o dobro da potência) sem aumentar o diâmetro do motor.

Mais um vantagem é a simplicidade mecânica se comparados aos motores em linha – o aspecto de um radial é intimidador, mas a verdade é que os motores radiais possuem menos partes móveis que um motor em linha: no virabrequim, por exemplo, há apenas dois rolamentos independentemente da quantidade de cilindros. Já um motor de quatro cilindros em linha possui pelo menos cinco rolamentos. Além disso, o próprio virabrequim é mais curto e mais rígido.

E os motores radiais também são mais suaves – nos quatro-tempos, a ordem de ignição sempre alterna os cilindros. Em um radial de cinco cilindros, por exemplo, a ordem de ignição é 1, 3, 5, 2, 4 e 1 novamente (formando um pentagrama perfeito, aliás). Somada à adição de um contrapeso no virabrequim, essa característica garante funcionamento liso e sem vibrações.

Por fim, os motores radiais costumam dispensar arrefecimento líquido – os cilindros fresados e o próprio posicionamento do motor no nariz do avião, sob constante fluxo de ar, ajudam a manter a temperatura ideal sem a necessidade de radiadores (a não ser que estejamos falando de duas ou mais fileiras de motores, já que as fileiras de trás não recebem tanto ar quanto a primeira).

Quais as vantagens dos motores radiais? – Entenda como eles funcionam

Claro que, com o passar do tempo, o surgimento de outros tipos de propulsores aeronáuticos (como os turbojatos) aposentou os motores radiais como principal tipo de motor usado em aviões. Como os V8 flathead ou o boxer a ar do Fusca, eles hoje em dia são mantidos em atividade pelos entusiastas das aeronaves clássicas.

Ou, como viemos aqui para contar, acabam indo parar na traseira de um Porsche 356 Outlaw. Sim, agora vamos falar do carro!

O projeto foi criado por uma empresa australiana chamada Radial Motion – e sim, você adivinhou: eles são especializados em motores radiais. No caso, estamos falando de motores de três cilindros criados especificamente para automóveis. E os motivos para a ideia são simples de entender: segundo a Radial Motion, tem mais a ver com a busca por algo diferente e cheio de personalidade do que com as vantagens técnicas. “O motor da Radial Motion é robusto, simples e tem alto desempenho, além de entregar um ronco marcante e de ter tremendo apelo visual”, diz o site da empresa. E, de fato, ver dois cilindros brotando do assoalho de um Porsche 356 é algo definitivamente raro. Por aqui, inédito.

A Radial Motion não diz exatamente as especificações do motor, que foi instalado no carro como “prova de conceito” – ou seja, para mostrar que é possível e dá certo. O que eles dizem, porém, é que pode-se comprar versões 2.0 (1.998 cm³) ou 2.1 (2.104 cm³), e que ambas têm potencial para entregar até 100 cv por litro sem indução forçada – ou seja, se for o motor 2.1, estamos falando de 210 cv.

Há uma boa razão para que o 356 tenha sido escolhido: os motores radiais da Radial Motion são feitos sob medida para serem instalados em carros com motor boxer a ar na traseira – Volkswagen e Porsche. Além do 356, uma Kombi e um Fusca. Diferentemente do Porsche, eles receberam a versão arrefecida a líquido, que aceita melhor preparação pesada.

Em todos os casos, a Radial Motion garante que os motores são plug and play – é só remover o boxer e colocar o radial em seu lugar, sem a necessidade de qualquer tipo de adaptação, como mostra o vídeo abaixo no qual o motor é instalado em um triciclo.

A Radial Motion é bastante jovem, na verdade – o primeiro motor vendido foi funcionou pela primeira vez em fevereiro de 2021. E, segundo eles, trata-se apenas do primeiro projeto: outros motores pouco comuns para carros já estão nos planos, incluindo um V2 modular que pode ser transformado em V4 ou V6 apenas ligando dois ou três motores pelo virabrequim.

Talvez esses caras não vão revolucionar o mercado de swaps, mas iniciativas ousadas como essa são sempre bem vindas.

Este Uno 1.5R pode ser seu!

Participe!

Clique aqui e veja como

Compartilhe agora