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Mercado e Indústria

Veja variação real dos preços dos carros usados


Como prometido ontem, na primeira parte desta série de matérias sobre os preços dos carros usados, esta segunda parte traria uma análise da real variação de preços dos carros mais vendidos no Brasil nos últimos três anos, desde antes da pandemia.

Nesta segunda parte, veremos qual foi a variação anual dos preços dos hatches compactos e médio-compactos — quando eles pararam de desvalorizar e começaram a valorizar, e qual foi a valorização ou desvalorização real, considerando a inflação nesse período

Esta primeira tabela mostra a variação anual de um carro comprado zero-quilômetro em maio de 2019, que foi o último ano sem interferência da pandemia. Cada variação de preço na tabela é relativa ao ano anterior. No final, a “variação real” calcula quanto o preço do carro variou em relação ao seu preço quando novo corrigido pela inflação para abril de 2022 (último mês com índice disponível), ou seja, qual foi a valorização/desvalorização real do modelo.

valorização dos carros usados

Para compor a tabela, considerei as versões de entrada de cada modelo, com os preços da tabela Fipe de valores médios em maio de 2019 (zero km), maio de 2020, maio de 2021 e maio de 2022. Para calcular a variação anual, os valores não foram corrigidos; somente a variação real ou efetiva é que considerou o valor do carro zero-quilômetro corrigido para 2022.

É este resultado que exemplifica a distorção do mercado atual: a maior variação negativa (desvalorização) foi a do Peugeot 208, que, depois de três anos de uso perdeu apenas 15,2% do valor. Mas há anomalias ainda mais expressivas, como a valorização de cinco modelos da lista — Onix Joy, Mobi, Argo, Fit e HB20. Ou seja: estes modelos são mais valiosos hoje, com três anos de uso, do que quando eram novos. Quem comprou um desse em 2019, na prática, ganhou dinheiro — isso se conseguir vender pelo preço da tabela Fipe…

Note que Mobi, Argo e HB20 ainda são produzidos. Como o preço dos modelos novos subiu além da inflação (dólar, escassez de insumos, menor volume de vendas etc), o preço destes usados acabou puxado pelo preço dos modelos novos.

Já Onix Joy e Honda Fit, são modelos com boa aceitação no mercado que saíram de linha pela mudança na estratégia das marcas e não por baixa demanda do público, e que foram substituídos por modelos mais caros e conceitualmente diferentes, o que pode explicar a valorização mesmo fora de produção. Nos dois casos, não houve um sucessor direto.

Esta segunda tabela mostra o preço dos usados e a variação de cada modelo após três anos da compra. Ou seja: os preços na coluna de 2016 são os valores dos carros novos e os preços na coluna de 2019 são os valores destes modelos no mercado de usados em 2019. O valor corrigido é referente a maio de 2019 — portanto  o valor pago em 2016 corrigido para 2019.

desvalorizaçao dos carros usados

A tabela comprova a impressão que todos temos atualmente: comprar um carro usado ficou realmente mais caro porque a desvalorização nos últimos três anos foi muito menor. Note que em 2019 a desvalorização após três anos variava entre 17% e 31%. Agora, a desvalorização varia de 1,5% a 15%, mas alguns carros estão até mais caros, como dito mais acima.

Esta alta dos preços e a baixa desvalorização dos carros ao longo dos últimos anos somada à baixa demanda pelos usados — e aqui não falo de pessoas que gostariam de trocar de carro, mas das pessoas que efetivamente tiram a grana do bolso para comprar o carro — causou essa queda contínua do volume de vendas no mercado de usados. Somente o mês de março teve uma variação positiva (superior a março de 2021), mas isso só amenizou a queda de vendas no primeiro quadrimestre de 2022 em relação a 2021.

A história resumida é que menos gente está comprando carros e ainda que o menor volume de vendas possa resultar em margens maiores para compensar a redução do volume, isso só funciona até o ponto em que esse aumento não “trava” o mercado — ou seja: o preço sobe a ponto de se tornar desinteressante.

É nesse ponto que o nosso mercado parece estar atualmente. Todo comerciante sabe que estoque parado é dinheiro perdido. As vendas caíram, mas o custo operacional não (pelo contrário, ele acompanha a inflação). Como as contas continuam chegando no fim do mês, os preços devem começar a cair gradualmente — não tanto quanto gostaríamos, mas ao menos estarão caindo.

Na próxima parte veremos a variação de preços dos segmentos superiores, onde estão os queridinhos do público, os crossovers.

 

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