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Ford encerra produção no Brasil – qual o futuro da marca por aqui?


“Qual o futuro da Ford no Brasil?” foi a pergunta que fizemos aqui mesmo no FlatOut há exatos seis meses, quando a fabricante anunciou o Territory e confirmou outras quatro novidades para o mercado brasileiro, embora sem nada muito claro.

A resposta — ou parte dela —, chegou nesta tarde de segunda-feira, 11 de janeiro de 2021: a Ford está encerrando a produção de automóveis no Brasil em suas três unidades fabris no país. Nas fábricas de Camaçari/BA, onde são feitos o Ka e o EcoSport, e de Taubaté/SP, onde são feitos motores e transmissões, a produção cessará imediatamente. Na fábrica de Horizonte/CE, onde é feito o Troller, a produção continuará somente até o último trimestre de 2021.

O fim da produção no Brasil, contudo, não significa que a fabricante deixará de atuar no País. A  Ford anunciou que continuará atendendo os clientes da América do Sul com “um portfólio empolgante de veículos conectados e cada vez mais eletrificados, incluindo SUVs, picapes e veículos comerciais provenientes da Argentina, Uruguai e outros mercados”, o que significa que ela passará a atuar apenas como uma importadora de automóveis.

Apesar do encerramento da produção brasileira, a Ford irá manter o Centro de Desenvolvimento de Produto na Bahia e o Campo de Provas de Tatuí/SP, além de sua sede regional em São Paulo. Isso indica que, apesar de os futuros modelos da marca não serem produzidos no Brasil, eles devem continuar sendo desenvolvidos por aqui.

Em um comunicado enviado pela Ford aos concessionários nesta segunda-feira (11), pouco antes do anúncio do fim da produção nacional, a fabricante menciona que continuará desenvolvendo localmente “tecnologias e produtos para a América do Sul e outros mercados globais”. Com o fim do Ka e da EcoSport, a linha da Ford será reduzida, temporariamente, à picape Ranger, ao crossover Territory e ao esportivo Mustang — além do estoque remanescente do Ka e do EcoSport.

Em seu comunicado a Ford mencionou que também irá trazer a nova geração da Ranger e da Transit, além do Bronco, do Mustang Mach 1 e “outros modelos totalmente novos”. A menção a “modelos totalmente novos” nos traz à memória a picape Maverick, que está cotada para o Brasil como resposta à Fiat Toro — o que, sinceramente, parece pouco provável ainda que seja importada do México e isenta do imposto de importação.

Ainda não se sabe qual será o futuro dos três projetos que a Ford vinha desenvolvendo no Brasil para serem produzidos localmente sobre a plataforma do atual EcoSport — os projetos BX775, BX784 e BX785, respectivamente a nova geração do EcoSport, um crossover médio-compacto e sua versão “coupé”, nos moldes do Nivus. Os três projetos podem continuar, principalmente o novo EcoSport, que tem bom desempenho de vendas nos EUA e na Índia — que fabrica o modelo vendido localmente e também exporta para os EUA.

Segundo informações não-oficiais, a decisão de encerrar a produção local da Ford partiu da matriz nos EUA, e pegou de surpresa toda a operação brasileira da marca. Nem mesmo os fornecedores e concessionários haviam sido avisados com antecedência — a Ford enviou hoje, pouco antes de seu anúncio público, um comunicado aos fornecedores dizendo que irá agendar reuniões ao longo desta semana para detalhar os futuros planos da marca.

O encerramento da produção de automóveis no Brasil põe fim a uma história de 102 anos da Ford no País — a marca começou a montar carros em São Paulo em 1919 e iniciou a produção local ainda nos anos 1960. Sua operação no Brasil, contudo, nunca foi muito estável. Nos anos 1980 ela foi “salva” pela Autolatina, que deu à Ford uma sobrevida e, mais tarde, a Ford acabou obtendo um grande sucesso com a invenção do segmento do crossover compacto ao lançar o EcoSport.

Nos últimos anos, contudo, a Ford teve uma série de mudanças de estratégia em um curtíssimo espaço de tempo — o plano “One Ford”, que visava unificar a linha Ford no mundo todo, ainda nem havia sido implementado por completo quando foi abandonado e substituído por uma nova estratégia regionalizada — que também encerrou a produção australiana da Ford e, por sua vez, também mal fora implementada quando a Ford decidiu matar os sedãs e hatchbacks para se concentrar em picapes, SUV e no Mustang.

O encerramento da produção da Ford no Brasil também está claramente calçado na possibilidade de importar modelos do México, do Uruguai e da Argentina com isenção do imposto de importação. Como Bronco Sport e Maverick serão produzidos no México, a Ranger é feita na Argentina e a Transit virá do Uruguai, somente o Mustang e o Edge ST — os modelos de nicho — seriam tributados com os 35% do imposto de importação.

Se a estratégia de reestruturação da Ford irá funcionar, ainda é cedo para dizer. A constatação parece lógica, mas a Ford terá agora como principal desafio convencer o público acostumado a enxergá-la como uma rival para Volkswagen, Fiat e Chevrolet de que seus carros importados são páreo para modelos premium com os quais inevitavelmente irá concorrer. O Bronco Sport, como já mencionamos anteriormente, pode ser uma boa surpresa caso a Ford consiga oferecê-lo a um preço competitivo — leia: cerca de R$ 220.000 a R$ 240.000 — por ser um carro de imagem como o Defender ou o Wrangler.

Por outro lado, não espere que a picape Maverick seja realmente uma rival para a Fiat Toro, apesar de ser importada do México, ela dificilmente chegará ao Brasil por menos de R$ 150.000, já que espera-se que seus preços variem entre US$ 20.000 e US$ 25.000 nos EUA.


 

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